quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Sua maior expressão de poder é o amor

            Na última terça-feira (17/091/13) a Juventude LibRe esteve presente na palestra da ativista política Ericka Huggins, ex-lider do Black Panther Party for Self-Defense (Partido dos Panteras Negras Em Legitima Defesa), organizada pelo recém-formado Coletivo de Estudantxs Negrxs da USP para falar de sobre preconceito racial e sobre as classe sociais. A atividade foi o marco da fundação do Coletivo de Estudantxs Negros da USP. Voltando à falar da Ericka, poderíamos resumi-la como FODA, mas pra que todos saibam melhor quem ela foi tentaremos fazer um breve resumo de sua história, e em seguida relataremos como foi a atividade.
Ericka Huggins e o Black Panther Party
Ericka começou sua militância em 1963, participando da Marcha em Washington, e seguiu comprometida com o movimento global pelos direitos humanos. Entrou para o Partido aos 15 anos de idade, logo largou a escola pra se dedicar cada vez mais à sua luta (ela nos aconselhou “não façam isso! Estudem, se apliquem e voltem às suas comunidades para ajudar os teus!”) Em 1969, aos 18 anos, ela se tornou um dos líderes da célula do Partido dos Panteras Negras junto ao seu marido John Huggins em Los Angeles. Três semanas após o nascimento de sua filha Mai, Ericka ficou viúva aos 19 anos, quando seu marido John Huggins, junto com Alprentice "Bunchy" Carter, foi morto a tiros no campus da UCLA. Mesmo com todas as dificuldades continuou no Partido, e segue lutando até hoje. Voltou à escola, formou-se e passou a acredita que a educação é uma arma revolucionária, assim como a cultura.



Se perguntarmos à qualquer negro que decidiu lutar por seus direitos uma referência, eles responderão: Partido dos Panteras Negras - até eu responderia isso - pois mesmo com referências nacionais como o Zumbi dos Palmares (que sim, é uma grande referência, não podemos esquecê-lo de maneira alguma), nos Panteras temos exemplos de como utilizar da ideologia e de noções de organizativas específicas. A principal finalidade do grupo era patrulhar os guetos e proteger os moradores da violência policial. Huey Newton um dos fundadores aprendeu todo o Código Penal da Califórnia, assim, utilizavam da legislação (através de citações) e de armas para se defender. Além disso, influenciados pelo marxismo, os Panteras Negras defendiam o socialismo como modelo político e o aplicavam nos bairros em que atuavam. Mais que a defesa das comunidades, o partido também mantinha escolas de formação política e treinamento de artes marciais para crianças e jovens, um programa de segurança alimentar para famílias mais pobres, defendiam a isenção de impostos e um projeto de reparação financeira da “América Branca” pelos séculos de exploração, também o fim da humilhação e genocídio da população negra.
Centenas de pessoas e a atenção voltada à uma mulher negra. “Eu vejo você! – Eu me sinto vista!”
Nossos dias geralmente começam assim: Acordar cedo, fazer nossas tarefas domésticas, trabalhos, estudos e correr contra o tempo pra sobrar um momento pra participar de atividades maravilhosas como essa. Tomando conhecimento da atividade horas antes, ignoramos qualquer lógica e fomos. Chegando lá o primeiro choque, o local estava lotado, já não havia onde sentarmos, todas aquelas pessoas queriam ver e ouvir uma MULHER NEGRA. Sentamos então nas escadarias, ao olhar pro lado muitos negros, muitos representantes da periferia.

A emoção já começa na hora que a Ericka entra no auditório, todos a aplaudindo de pé em seguida os braços esquerdos levantados, e seus comentários inicias bem humorados criaram um ambiente familiar e aconchegante. Ela nos pede pra acolhermos nossos companheiros que ainda não estavam acomodados, e logo diz que esse é o “espírito da coisa”, sejamos como uma família então. Passa a falar sobre suas experiências pessoais e foram poucas as pessoas que conseguiram segurar o choro. Os choros vieram com a identificação, principalmente das mulheres negras que estavam presentes, mas não nos faltaram momentos pra sorrir. Ericka disse que a felicidade é necessária pra lutar “por que se não de onde vamos tirar força pra resistir?”.




Num ato de humildade fala sobre a realidade dos negros no Brasil – sim, ela pesquisou! - Huggins cita acontecimentos como o genocídio da juventude negra da perifeira, os sacrifícios que os negros passam pra entrar na universidade, a perseguição à religiões de matrises africanas. Afirma a importância da mulher na luta contando que em certos momentos só haviam mulheres em determinados núcleos, pois a polícia perseguia primeiro os homens. Disse que o machismo era presente, mas eles o combatiam diariamente, mulheres “pegavam em armas” e homens “trocavam as fraudas”. E sim, as mulheres sofriam muito, mas não desistiam. Lutavam da mesma forma que os homens, as divergências internas haviam e eram superadas através do dialogo.

Coloca a questão da educação como um dos carros chefes na mudança social, nos pediu que mesmo que estudemos muito, nos especializarmos, que voltemos às nossas raízes. Que não devemos esquecer dos bairros onde crescemos, que devemos lutar por melhoras lá também. Considera de todas as ações dos Panteras Negras a criação de escolas algo mágico, escolas que algumas delas existem até hoje. “Na escola ensinávamos os alunos à pensar, e não o que pensar, mesmo que isso pudesse se voltar contra nós um dia. Falávamos das história dos negros, sem mentir, nem nos lamentarmos. Simplesmente não queríamos que nossas crianças vivessem na mentira, queríamos que elas soubessem por que viviam daquela forma.” 


Ericka nos fala sobre o café da manhã que ofereciam às crianças das perifeiras, conta que mesmo se estivessem cansados ou tristes, no frio ou calor, o café acontecia – “não haviam desculpas válidas”. Também nos fala sobre a distribuição de alimentos (o que no Brasil poderíamos chamar de sexta básica). Bem humorada diz que o governo passou à imitar essas ações, criaram projetos parecidos e aplicavam dentro das escolas. A palestra foi mais do que um resgate histórico da militância do negros, foi o análise da nossa realidade e  a adaptação dessas lições históricas no nossos cotidianos, pois em cada assunto que ela se aprofundava ela fazia referências ao que vivemos hoje (nos mostrando que ainda existe preconceito, que ainda temos muito o que conquistar).
All Power to the People, não é poder ao povo e sim poder à todos os povos... Sim, nós falamos com ela!

Representantes do movimento HIP HOP, militantes de movimentos sociais das periferias espalhadas por São Paulo, estudantes negros, todos puderam falar sobre suas experiências. As Mães de Maio e tantos outros movimentos foram lembrados durante as falas. E diante disso ficou claro, até da nossa parte que os Black Panther influenciou em muito nas nossas vidas. Cada palavra direcionada a Ericka era retornada à quem as pronunciava com muito carinho, e novamente as lágrimas eram inevitáveis.



“Minhas pernas tremiam (acho que meu corpo inteiro), era um tremor que vinha do coração. Minhas palavras? nem eu lembro direito, mas eu não podia perder aquela oportunidade de mostra a minha experiência como mulher, negra, periférica, jovem. Citei a militância em Cotia, agradeci à Ericka por me dar força pra continuar lutando, e disse que minha referência de luta era a Alma, também ex-militante do Partido e disse que a história do Partido em si me influenciava muito. Chorei um pouquinho – só um pouquinho ok! E sorri quando ela me disse que aquele sentimento era recíproco. Ela estava olhando pra mim, me escutando! Vocês tem noção do que é isso? No final da atividade fomos falar com ela, a abraçamos. (acho que foi isso, estava num misto de sentimentos, mas o destaque foi pro meu nervosismo, talvez depois eu me lembre de mais alguma coisa que a emoção deixou passar).” Irenita, militante da Juventude LibRe


            Depois de todas as falas, vimos as pessoas interagindo, como se aquele laço que a Ericka havia feio com suas palavras tivesse sido firmado com um nó bem apertado nas falas das outras pessoas.Muitas pessoas vieram nos abraçar, distribuíam sorrisos. Um militante do movimento HIP HOP, de quase dois metros de altura nos abordou dizendo “Ae parabéns, me emocionei de verdade com a fala dessa mina aí! Satisfação”.Essa atividade foi pra muitos a renovação dos votos como um militante de esquerda. Nos fez lembrar que a luta não é entre nós e sim contra o opressor, e que devemos lutar bravamente todo dia e que não devemos esquecer de lutar com o coração.





Você já viu nos livros de história falar sobre mulheres negras? Não, não existe! Procura na história dos negros nacional ou internacional e vocês vão ver homens. Através de pesquisas específicas encontramos mulheres, e sempre surge o nome "Black Panther". A Ericka, é especial. Ela é jovem, nas palavras, na forma como lida com as pessoas (ela é mais jovem que eu!). Sua militância se iniciou aos 15 anos de idade, mais um motivo pra nos identificarmos. Ela mostrou que a luta é justa, válida e possível. A humildade dela também é algo inspirador, em momento algum ela se colocou como uma pessoa superior, ela deixou bem claro que veio da periferia e se orgulha disso e praticamente nos intimou à escrevermos nossas próprias histórias através da luta popular. São tantas qualidades numa pessoa tão simples, tanta beleza, tanto sentimento, que acho que vou procurar no dicionário novas palavras pra descrever por quê a vemos como exemplo.

Fotos: Resisto OPM

domingo, 11 de agosto de 2013

De 2013 a 1968: Juventude LibRe embarca numa viagem no tempo

Uma viagem no tempo: contemplados pelo saber e munidos com esperança. Talvez essas duas orações confirmem o sentimento coletivo da Juventude LibRe (SP), no último sábado (10), durante as atividades em São Paulo.

Na noite de sexta-feira (9) foram poucas as horas de sono. A ansiedade pelo dia seguinte não nos deixou pregar os olhos. O destino seria o centro de São Paulo, onde, primeiramente, iria ocorrer um debate na Faculdade de Tecnologia de São Paulo (Fatec) sobre as manifestações de junho deste ano. Na sequência, partiríamos para o Memorial da Resistência, logo ali, ao lado. 

Chegando na Fatec, sentamos no fundão – típico lugar geográfico da periferia. Lá na frente, a mesa do debate, formada por cinco pessoas. De um lado, dois senhores – um sindicalista e um professor do IFSP. Do outro, três jovens – dois integrantes do Movimento Passe Livre (MPL) e outro representante do Movimento Hip Hop e da LibRe. Esse último, podemos chamar de ‘mano Wesllen’.





Ambos debatedores tentaram entender o que ocorreu em junho, durante os protestos contra o aumento das tarifas do transporte público em São Paulo. Coerência de um lado, impaciência do outro – aqui, no sentido inverso da apresentação dos que compuseram a mesa.

Ficou nítido o nervosismo e a incompreensão dos mais velhos. Um verdadeiro ‘choque de gerações’. Para uma plateia composta por jovens, eles, os mais velhos, não conseguiram dialogar. Os outros – MPL e mano Wesllen – mandaram bem, tirando, inclusive – sem protagonismo – aplausos calorosos do público.

Aqui, vale ressaltar, não estamos pretendendo qualificar o debate segundo a faixa etária dos companheiros. Pelo contrário. Todo respeito aos mais velhos. Pena que eles perderam a linha junto com o pipa e o carretel. Os jovens ‘cortaram e apararam’, sem cerol, os papagaios - no sentido literário da palavra - dos mais velhos. Sim, papagaios! Bons para falar, mas não encontraram horizonte para alçar seus voos explanatórios. Em suma, os mais velhos, com os velhos métodos, perderam o bonde da história, e agora querem pegar carona e irem, ainda, na janelinha do bonde. Porém, as pessoas estão cansadas do velho método. Elas exigem mudanças e participação! E isso ficou mais do que transparente nas manifestações de junho – algo que eles não perceberam, ou não quiseram perceber.



Outro detalhe que ocorreu – e de extrema importância – foi lembrado pela companheira Irenita, vulgo ‘menininha’ – segundo Wesllen . Menininha, ao se dirigir aos debatedores, indagou sobre a importância das mulheres na luta social e questionou o por quê não havia participação feminina na mesa. Após aplausos intensificados do público, a mesa, por unanimidade, reconheceu a falha. Depois da manifestação de menininha, algumas ‘feministas’ saíram do armário. Uma, inclusive, foi até a frente do palco para que a atenção fosse direcionada a ela. Menininha, pequena no tamanho e grande na coragem, observou a atitude da tal feminista e acrescentou categoricamente: “É importante combatermos o machismo de dentro para fora. Não adianta criticar as pessoas, quando nós (mesmo sem perceber), fazemos as mesmas coisas.”

Enfim, o debate se encerrou. Mano Wesllen e os integrantes do MPL saíram coroados, sem coroas. Foram sucintos e diretos em suas explanações. Sem rodeios. Sem curvas. Mano Wesllen se destacou como o sujeito periférico da cena! Periferia é foda, mano! Nois representa memo!


No Memorial

Partimos, então, conforme o combinado, para o Memorial da Resistência, na Luz. Fomos atrás do alimento do saber, de barriga vazia. Sim, estávamos sem comer, e o estômago começava a requisitar o cérebro e, esse, por sua vez, projetava dores na cabeça e baixa resistência no corpo físico. A indagação veio: vamos comer primeiro? A resposta foi de acordo com o horário: era 13h00, portanto, não! Tínhamos agendado a visita ao Memorial, às 13h30, por isso, não daria tempo de comer nem um pão de queijo. Partimos rumo ao nosso destino.

Bastou pisar no Memorial para que o nosso anfitrião chegasse logo em seguida. Trata-se de Alípio Freire, ex preso político que ‘morou’ no lugar onde iríamos visitar. O hoje chamado Memorial da Resistência, foi o antigo Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo (DEOPS), local onde os militares levavam as pessoas que faziam oposição ao regime ditatorial para torturar, sangrar e, inclusive, matar. Alípio ficou lá por alguns meses. Viu cenas de horror, sentiu na pele o verdadeiro significado da tortura. Mas ele, por incrível que pareça, não quis se fazer de coitado. Não queria, como em alguns filmes que retratam o período, passar apenas as impressões do sofrimento daquela época. Alípio, de maneira bem humorada e didática, quis, simplesmente, que aflorássemos o nosso censo crítico, mostrando que, além das torturas, a estrutura política por de trás do regime era composta, inclusive, pela classe empresarial. Sem o patronato, segundo Alípio, o golpe nem teria acontecido. A ditadura, portanto, foi Civil-Militar, e não apenas militar, como muitos designam. “Patrão bom é patrão morto”, disse Alípio.




Visitamos as celas e os corredores do antigo DEOPS. Vimos as pichações nas paredes com os nomes de algumas pessoas que passaram por lá. Ouvimos os depoimentos de alguns presos políticos da época. Ficamos impressionados com tudo aquilo. Conhecíamos, ouvimos falar, mas nunca tivemos um contato tão próximo com a realidade daquele período como desta vez. A fome? Que fome? Com tudo isso – e muito mais – de aprendizado, havíamos esquecido de que estávamos com fome. Ou então, estávamos saciando a nossa fome com outro tipo de alimento: o saber. E foi com esse alimento que saímos do museu, após uma rodada de café, chá, refrigerante e todinho. Nada de comida.









Partimos para o parque, ali mesmo na região, com o objetivo de trocarmos as nossas impressões sobre as duas atividades que acabáramos de exercer. Em meio às folhagens secas, caídas neste inverno, que é um misto de outono e verão – e porque não, de primavera – sentamos em círculo. Cada um falou o que sentiu. Em cada frase pronunciada, um sentimento sincero. Dava para observar nos olhos de cada um. Foi Kawaii (fofo, em japonês, segundo a Irenita).

Partiu Cotia, então? Vambora! Mas se engana quem pensa que as atividades encerraram ali. E a fome? Passava das 18h e não tínhamos comido nada! Pois é, cada um comeu quando chegou em sua residência, afinal, a resistência também se integra neste contexto.

Em Cotia

Passava das 19h quando chegamos em Cotia. Outra atividade estava marcada para às 23h. Cacete! Essa juventude é maluca! Por que não foram descansar ao invés de se desgastarem mais? – perguntaria qualquer pessoa normal. A resposta é simples: somos anormais.


Querem saber como foi a última atividade? Participem então da Juventude LibRe! Ajude-nos na construção de um outro modelo de sociedade! Vamos romper as estruturas desiguais proporcionadas pelo capitalismo! Liberdade só vem através de uma Revolução! E Revolução só se concretiza se tivermos organização!

Viva a Juventude, a Liberdade e a Revolução! 

Os 23 dias que abalaram a FACED

Culpadas!

Esse é o veredicto da surpreendente ação protagonizada pelo Movimento Estudantil da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), encabeçada por perigosas estudantes do curso de Pedagogia da FACED (Faculdade de Educação). A acusação que repousa sobre elas? Formação de quadrilha. Sim! Uma perigosa quadrilha, munida de armamento pesado: cultura, diversão e arte.

Não está entendendo nada? Tá. Então vamos explicar.

1)      Antecedentes:

Toda universidade tem problemas com espaços estudantis. Isso não é, nem nunca foi novidade. A luta por espaços estudantis é pauta permanente do M.E., e sempre constitui uma bandeira politizadora, que traz consigo um importante debate sobre o caráter do ensino universitário.

Na FACED-UFRGS isso não foi diferente. O DAFE (Diretório Acadêmico de Pedagogia) nunca teve um espaço digno para comportar sua demanda por vivência e integração entre os estudantes. A entidade sempre foi alocada em salinhas pequenas, onde mal dava para as gestões do diretório se reunirem.

E enquanto isso, bem ao lado do saguão da faculdade (ali, bem debaixo do nariz de todo mundo), um espaço que outrora havia sido cedido para uma lanchonete [falida e endividada] servia como depósito de materiais descartados. Diante desse descaso, o DAFE resolveu agir. E não foi pra menos: primeiro fez um abaixo-assinado pela cessão do espaço ao diretório, recolheu apoio de professores, se manifestou publicamente. E a diretoria da FACED? Fez que não era com ela.

Perante o silêncio e a inércia da burocracia universitária, só restou uma opção às estudantes da Pedagogia: ocupar aquilo que, no fundo, sempre foi delas.

2)      A quadrilha

No dia 10/07, no ritmo de festa junina, ao sabor de salgadinhos, refrigerantes e leitinhos, vestido de camisa xadrez e chapéu de palha, o vandalismo tomou conta da FACED. Segue o vídeo de como foram os primeiros minutos de ocupação do espaço: http://youtu.be/gxGlrlpHAUo

Pois é. Quem disse que o M.E. precisa ser sisudo e careta? A quadrilha impôs à ocupação o clima que ela teria nos próximos 23 dias: cultura, diversão e arte. Porque é assim que deve ser um espaço de vivência construído por estudantes: plural e democrático. Nesse tempo todo, o DAFE tomou o cuidado de aliar pluralidade com organização impecável, de forma a tornar o espaço habitável e construído coletivamente não só pela estudantada da FACED, mas também por outras entidades estudantis da UFRGS.



Ressalte-se a importante atuação de militantes do DCE (Diretório Central dos Estudantes) e da APG (Associação de Pós-Graduandos) que não arredaram pé da luta, sempre ao lado da galera da Pedagogia. Outros CA's e DA's também deram total apoio ao movimento, como o DAECA (DA de Economia), o CHIST (CA de História),o CECS (CA de C.Sociais), o DAQ (DA de Química), dentre outros. Essas entidades, junto do DAFE, foram responsáveis por fomentar incansáveis debates políticos nas assembleias e nos fóruns da ocupação, tornando o espaço um verdadeiro laboratório de Movimento Estudantil.

Entre um debate e outro, atividades das mais diversas possíveis. De oficinas de dança, a oficinas de cerâmica. Do ping-pong, à visita de professores de outros países e estudantes de outras universidades e outros estados. Dos almoços coletivos em conjunto com os funcionários terceirizados da universidade e com a ASSUFRGS (sindicato dos servidores da UFRGS), à visita do cartunista Latuff – que deixou seu apoio irrestrito ao movimento. Ao invés de ficar listando o que rolou em 23 dias de mobilização, é mais fácil perguntar o que não rolou...


Latuff dando um salve de apoio ao movimento

Charge do Latuff

Bixetes do 2º semestre sendo recebidas no espaço

Funcionários terceirizados da universidade jogando um ping-pong na frente da ocupação

Debate do Grupo de Estudos feministas das estudantes da Letras da UFRGS

Apresentação musical na ocupação


3)      O desfecho: VITÓRIA

Na última quinta-feira (01/08), a galera deu início à desocupação do espaço. O movimento  conquistou uma importante vitória parcial e celebrou junto à direção da FACED um acordo que concede o empréstimo do espaço ao DAFE pelo período 90 dias. De fato, a oficialização ainda precisa ser deliberada pelo Consuni (Conselho da Universidade). Entretanto, caso o Conselho não delibere a cessão definitiva, o empréstimo poderá ser renovado pela FACED. O acordo foi firmado em ato realizado na própria ocupação, e recebeu a tão aguardada assinatura da diretora Simone Valdete dos Santos, que acabou por reconhecer a vitória do movimento.

Ato público para assinatura conjunta do termo de empréstimo do espaço em 01/08

Gurias do DAFE celebrando termo junto à diretora da FACED, Simone Valdete dos Santos

E, bem... Como o movimento terminou? Assim como começou: em ritmo de festa junina. A luta ainda vai continuar. Nos próximos meses o DAFE tem o desafio de manter o espaço em pé, habitado e com atividades políticas e culturais.

Segue a carta final, elaborada pelos ocupantes:

Apenas começamos...

“Do rio que tudo arrasta se diz violento, porém ninguém diz violentas as margens que o comprimem.” Bertolt Brecht

Na manhã do dia 10 de julho de 2013 iniciou-se a ocupação do espaço anteriormente locado ao Café FACED. Vinte e três dias se passaram desde a festa junina que marcou a entrada em “quadrilha” na sala que, naquele momento, servia de depósito para materiais já sem uso.
De lá para cá fizemos desse espaço ocioso um lugar vivo: repleto de formação, cultura, diversão e arte. As portas que se abriram trouxeram ventos que varreram a poeira do conservadorismo, muros foram derrubados, o marasmo deu lugar à alegria. É esse o sentido pedagógico da ação de ocupação, tantas vezes mal compreendida ou caluniada.

Hoje assinamos publicamente o acordo entre o Diretório Acadêmico da Faculdade de Educação (DAFE) e a Direção da FACED que permite a desocupação deste espaço. Chegar até ele não foi fácil, uma vez que ele ainda não contempla o objetivo principal do movimento estudantil da UFRGS: a cessão definitiva do espaço ao DAFE, que tem o compromisso de abrigar na sua sede um espaço livre para atividades de formação e todas as formas de manifestação artístico-culturais da comunidade. Este acordo foi a mediação possível no atual momento, para que o diálogo ganhe novo fôlego e a democracia frágil de até então ganhe nova chance de prosperar.

Utilizaremos o empréstimo formalizado hoje como o laboratório da práxis, que provará na prática a capacidade de organização dos estudantes; que mostrará a todos como funciona um espaço verdadeiramente aberto; que realizará no presente aquilo que queremos para o futuro. Essa é a vitória parcial que hoje conquistamos.

Entretanto, sabemos que a verdadeira vitória somente se dará com a cessão definitiva do espaço ao DAFE. Nossa campanha por essa formalização seguirá e apresentaremos nossa proposta e intenções para todas as pessoas e em todos os lugares. Mais do que isso, exigimos e seguimos demandando uma ampliação cada vez maior do debate público. Dele não nos furtaremos e não o tememos.
Cumpridos.

Estaremos vigilantes para que os compromissos assumidos sejam plenamente.

Lutar também é educar! ‪#‎OcupaFACED

“[...] todo amanhã se cria num ontem, através de um hoje [...]. Temos de saber o que fomos para saber o que seremos.” Paulo Freire

Gurizada finalizando o período de ocupação em ritmo de festa junina

segunda-feira, 17 de junho de 2013

PELA UNIDADE DA ESQUERDA NOS PROTESTOS!

Hoje, dia 17/06/2013, é um dia muito importante para a juventude de São Paulo.

Acontecerá em nossa cidade o 5º grande ato contra o aumento das tarifas do transporte público (ônibus, trens e metrôs), em resposta ao aumento abusivo no preço das passagens decretado tanto pela prefeitura de Fernando Haddad (PT) quanto pelo governo estadual de Geraldo Alckmin (PSDB). Esse ato tem um motivo especial para acontecer: além de exigir a revogação imediata do aumento, ele vem também como uma contundente resposta popular à violência da Polícia Militar de São Paulo que reprimiu duramente o último ato, ocorrido no último dia 13/06.

A Juventude Liberdade e Revolução (LibRe) esteve presente em todos os atos desde o início das mobilizações, e se soma de peito aberto aos milhares de jovens que atendem ao chamado do Movimento Passe-Livre para lutar pelos seus direitos. É hora de tomarmos o nosso lugar nas ruas e nas praças. De mostrar que nós também queremos ser ouvidos pelo poder público que, ao invés de dialogar conosco, nos presenteou com bombas e balas de borracha.

Entretanto, muito cuidado! Há algo de podre no ar...

Pessoas famosas, jornais, revistas, políticos e jornalistas que antes nos chamavam de vagabundos, baderneiros, vândalos, "revoltados filhinhos de papai", etc., repentinamente mudaram de lado e agora estão eles também convocando a população para os protestos. Navegando pelas redes sociais temos visto diferentes vídeos, textos, cartazes conclamando a população.

Será que mudaram de opinião? Não! O que eles querem fazer é que a manifestação mude o seu caráter. A moda agora é dizer que o aumento "é só a última gota". Alguns estão chegando ao cúmulo de dizer que os jovens não toleram mais “bolsa isso, bolsa aquilo”, são contra os mensaleiros, contra a corrupção, contra os impostos, contra a inflação, etc. O que estes lacaios da burguesia estão tentando fazer é capitalizar o movimento para as bandeiras da direita reacionária.

Não podemos permitir isso!

Nossa luta prossegue sendo por um transporte PÚBLICO e de qualidade, que atenda às demandas da juventude e da classe trabalhadora. Os nossos inimigos prosseguem sendo os empresários do setor de transportes: estes sim, as verdadeiras sanguessugas que mamam insaciavelmente nas tetas do Estado, às custas do dinheiro do povo.

Nós jovens estamos indignados sim! 
Mas não é com o “bolsa isso, bolsa aquilo”, nem com a corrupção de um ou outro governo em específico. Estamos é indignados com a privatização do espaço público, com a qualidade dos transportes, com a falta de mecanismos para transformar o nosso país. Estamos indignados com o modelo econômico de nosso país, que abre as porteiras para que o setor mais truculento do capitalismo venha usurpar o nosso povo. É contra isso que lutamos!

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Um chamado à esquerda: UNIDADE NOS PROTESTOS!

Na tentativa de desmoralizar e desarticular a esquerda, a burguesia - através de seus panfletos políticos que eles costumam chamar de "jornais" - vem criando intrigas no interior da mobilização. Através da distorção de falas de dirigentes dos movimentos e setores que estão envolvidos na organização dos atos, o jornal O Estado de São Paulo está publicando notícias de que o MPL, o PSTU e o PSOL irão filmar e denunciar à PM supostos "vândalos" que causam quebra-quebra em meio aos protestos.

Em outra reportagem absurda (que chega a ser cômica e patética de tão absurda), o jornal Folha de São Paulo está dizendo que o PSOL recruta punks para instaurar o caos e a baderna nos protestos, como forma de se auto-promover e atacar o PT e o PSDB.

Tratam-se de notícias manipuladas e falaciosas que visam confundir os ativistas!

Nesse momento, nós da Juventude Liberdade e Revolução (LibRe) colocamos de lado as nossas divergências com os outros grupos e movimentos de juventude, e nos solidarizamos às companheiras e companheiros das organizações envolvidas nessas falácias, fazendo um chamado à toda a esquerda para que mantenha a unidade nos protestos de hoje, 17/06/2013. A direita quer tomar para si a nossa luta, e só com unidade iremos barrar esse golpe!

Saudações, e vamos pra rua!

 

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Às ruas contra o aumento da passagem



As lutas contra o aumento das tarifas dos transportes públicos cresceu em todo país neste ano de 2013. Em várias cidades a redução foi conquistada através de muitas manifestações e protestos, como em Goiania, Vitória, Teresina e Porto Alegre. Em São Paulo não tem sido diferente. A indignação pelo aumento das passagens de ônibus e metrô para R$ 3,20 tem levado uma parte da população insatisfeita a protestar nas ruas da cidade. 

Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, determina sem qualquer possibilidade de diálogo a aplicação da cartilha repressiva da polícia, que tem em sua gênese o compromisso de defender o Estado, a propriedade privada e os interesses das classes dominantes. As manifestações são pacíficas e quando menos se espera, lá vem: a PM ataca com balas de borracha, cassetetes, bombas de efeito moral e a tropa de choque a dispersar os manifestantes. No último ato 19 pessoas foram presas. Nada de novo para o campo político reacionário que pertence Alckmin.

O que chama maior atenção é a postura do prefeito da capital, Fernando Haddad, quando apenas diz que cumpriu com o prometido em campanha “aumentando abaixo da inflação”. Porém descumpre quando destacou a capacidade de diálogo com os movimentos sociais e população pobre, que é quem está sendo atacada tanto pelo aumento da tarifa quanto pela polícia.



Sabemos que o aumento das passagens afeta diretamente a qualidade de vida das pessoas. Se locomover por São Paulo fica cada dia mais difícil com a demora que se perde no trânsito e nas condições dos transportes superlotados e inseguros. Por isso a Juventude LibRe chama a tod@s para que saiam às ruas na próxima quinta-feira, 13/06, para protestar contra o aumento da tarifa dos transportes e contra a repressão aos movimentos sociais e ao povo que luta. A concentração é às 17h na Praça Ramos de Azevedo, em frente ao Teatro Municipal.