domingo, 11 de agosto de 2013

De 2013 a 1968: Juventude LibRe embarca numa viagem no tempo

Uma viagem no tempo: contemplados pelo saber e munidos com esperança. Talvez essas duas orações confirmem o sentimento coletivo da Juventude LibRe (SP), no último sábado (10), durante as atividades em São Paulo.

Na noite de sexta-feira (9) foram poucas as horas de sono. A ansiedade pelo dia seguinte não nos deixou pregar os olhos. O destino seria o centro de São Paulo, onde, primeiramente, iria ocorrer um debate na Faculdade de Tecnologia de São Paulo (Fatec) sobre as manifestações de junho deste ano. Na sequência, partiríamos para o Memorial da Resistência, logo ali, ao lado. 

Chegando na Fatec, sentamos no fundão – típico lugar geográfico da periferia. Lá na frente, a mesa do debate, formada por cinco pessoas. De um lado, dois senhores – um sindicalista e um professor do IFSP. Do outro, três jovens – dois integrantes do Movimento Passe Livre (MPL) e outro representante do Movimento Hip Hop e da LibRe. Esse último, podemos chamar de ‘mano Wesllen’.





Ambos debatedores tentaram entender o que ocorreu em junho, durante os protestos contra o aumento das tarifas do transporte público em São Paulo. Coerência de um lado, impaciência do outro – aqui, no sentido inverso da apresentação dos que compuseram a mesa.

Ficou nítido o nervosismo e a incompreensão dos mais velhos. Um verdadeiro ‘choque de gerações’. Para uma plateia composta por jovens, eles, os mais velhos, não conseguiram dialogar. Os outros – MPL e mano Wesllen – mandaram bem, tirando, inclusive – sem protagonismo – aplausos calorosos do público.

Aqui, vale ressaltar, não estamos pretendendo qualificar o debate segundo a faixa etária dos companheiros. Pelo contrário. Todo respeito aos mais velhos. Pena que eles perderam a linha junto com o pipa e o carretel. Os jovens ‘cortaram e apararam’, sem cerol, os papagaios - no sentido literário da palavra - dos mais velhos. Sim, papagaios! Bons para falar, mas não encontraram horizonte para alçar seus voos explanatórios. Em suma, os mais velhos, com os velhos métodos, perderam o bonde da história, e agora querem pegar carona e irem, ainda, na janelinha do bonde. Porém, as pessoas estão cansadas do velho método. Elas exigem mudanças e participação! E isso ficou mais do que transparente nas manifestações de junho – algo que eles não perceberam, ou não quiseram perceber.



Outro detalhe que ocorreu – e de extrema importância – foi lembrado pela companheira Irenita, vulgo ‘menininha’ – segundo Wesllen . Menininha, ao se dirigir aos debatedores, indagou sobre a importância das mulheres na luta social e questionou o por quê não havia participação feminina na mesa. Após aplausos intensificados do público, a mesa, por unanimidade, reconheceu a falha. Depois da manifestação de menininha, algumas ‘feministas’ saíram do armário. Uma, inclusive, foi até a frente do palco para que a atenção fosse direcionada a ela. Menininha, pequena no tamanho e grande na coragem, observou a atitude da tal feminista e acrescentou categoricamente: “É importante combatermos o machismo de dentro para fora. Não adianta criticar as pessoas, quando nós (mesmo sem perceber), fazemos as mesmas coisas.”

Enfim, o debate se encerrou. Mano Wesllen e os integrantes do MPL saíram coroados, sem coroas. Foram sucintos e diretos em suas explanações. Sem rodeios. Sem curvas. Mano Wesllen se destacou como o sujeito periférico da cena! Periferia é foda, mano! Nois representa memo!


No Memorial

Partimos, então, conforme o combinado, para o Memorial da Resistência, na Luz. Fomos atrás do alimento do saber, de barriga vazia. Sim, estávamos sem comer, e o estômago começava a requisitar o cérebro e, esse, por sua vez, projetava dores na cabeça e baixa resistência no corpo físico. A indagação veio: vamos comer primeiro? A resposta foi de acordo com o horário: era 13h00, portanto, não! Tínhamos agendado a visita ao Memorial, às 13h30, por isso, não daria tempo de comer nem um pão de queijo. Partimos rumo ao nosso destino.

Bastou pisar no Memorial para que o nosso anfitrião chegasse logo em seguida. Trata-se de Alípio Freire, ex preso político que ‘morou’ no lugar onde iríamos visitar. O hoje chamado Memorial da Resistência, foi o antigo Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo (DEOPS), local onde os militares levavam as pessoas que faziam oposição ao regime ditatorial para torturar, sangrar e, inclusive, matar. Alípio ficou lá por alguns meses. Viu cenas de horror, sentiu na pele o verdadeiro significado da tortura. Mas ele, por incrível que pareça, não quis se fazer de coitado. Não queria, como em alguns filmes que retratam o período, passar apenas as impressões do sofrimento daquela época. Alípio, de maneira bem humorada e didática, quis, simplesmente, que aflorássemos o nosso censo crítico, mostrando que, além das torturas, a estrutura política por de trás do regime era composta, inclusive, pela classe empresarial. Sem o patronato, segundo Alípio, o golpe nem teria acontecido. A ditadura, portanto, foi Civil-Militar, e não apenas militar, como muitos designam. “Patrão bom é patrão morto”, disse Alípio.




Visitamos as celas e os corredores do antigo DEOPS. Vimos as pichações nas paredes com os nomes de algumas pessoas que passaram por lá. Ouvimos os depoimentos de alguns presos políticos da época. Ficamos impressionados com tudo aquilo. Conhecíamos, ouvimos falar, mas nunca tivemos um contato tão próximo com a realidade daquele período como desta vez. A fome? Que fome? Com tudo isso – e muito mais – de aprendizado, havíamos esquecido de que estávamos com fome. Ou então, estávamos saciando a nossa fome com outro tipo de alimento: o saber. E foi com esse alimento que saímos do museu, após uma rodada de café, chá, refrigerante e todinho. Nada de comida.









Partimos para o parque, ali mesmo na região, com o objetivo de trocarmos as nossas impressões sobre as duas atividades que acabáramos de exercer. Em meio às folhagens secas, caídas neste inverno, que é um misto de outono e verão – e porque não, de primavera – sentamos em círculo. Cada um falou o que sentiu. Em cada frase pronunciada, um sentimento sincero. Dava para observar nos olhos de cada um. Foi Kawaii (fofo, em japonês, segundo a Irenita).

Partiu Cotia, então? Vambora! Mas se engana quem pensa que as atividades encerraram ali. E a fome? Passava das 18h e não tínhamos comido nada! Pois é, cada um comeu quando chegou em sua residência, afinal, a resistência também se integra neste contexto.

Em Cotia

Passava das 19h quando chegamos em Cotia. Outra atividade estava marcada para às 23h. Cacete! Essa juventude é maluca! Por que não foram descansar ao invés de se desgastarem mais? – perguntaria qualquer pessoa normal. A resposta é simples: somos anormais.


Querem saber como foi a última atividade? Participem então da Juventude LibRe! Ajude-nos na construção de um outro modelo de sociedade! Vamos romper as estruturas desiguais proporcionadas pelo capitalismo! Liberdade só vem através de uma Revolução! E Revolução só se concretiza se tivermos organização!

Viva a Juventude, a Liberdade e a Revolução! 

Os 23 dias que abalaram a FACED

Culpadas!

Esse é o veredicto da surpreendente ação protagonizada pelo Movimento Estudantil da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), encabeçada por perigosas estudantes do curso de Pedagogia da FACED (Faculdade de Educação). A acusação que repousa sobre elas? Formação de quadrilha. Sim! Uma perigosa quadrilha, munida de armamento pesado: cultura, diversão e arte.

Não está entendendo nada? Tá. Então vamos explicar.

1)      Antecedentes:

Toda universidade tem problemas com espaços estudantis. Isso não é, nem nunca foi novidade. A luta por espaços estudantis é pauta permanente do M.E., e sempre constitui uma bandeira politizadora, que traz consigo um importante debate sobre o caráter do ensino universitário.

Na FACED-UFRGS isso não foi diferente. O DAFE (Diretório Acadêmico de Pedagogia) nunca teve um espaço digno para comportar sua demanda por vivência e integração entre os estudantes. A entidade sempre foi alocada em salinhas pequenas, onde mal dava para as gestões do diretório se reunirem.

E enquanto isso, bem ao lado do saguão da faculdade (ali, bem debaixo do nariz de todo mundo), um espaço que outrora havia sido cedido para uma lanchonete [falida e endividada] servia como depósito de materiais descartados. Diante desse descaso, o DAFE resolveu agir. E não foi pra menos: primeiro fez um abaixo-assinado pela cessão do espaço ao diretório, recolheu apoio de professores, se manifestou publicamente. E a diretoria da FACED? Fez que não era com ela.

Perante o silêncio e a inércia da burocracia universitária, só restou uma opção às estudantes da Pedagogia: ocupar aquilo que, no fundo, sempre foi delas.

2)      A quadrilha

No dia 10/07, no ritmo de festa junina, ao sabor de salgadinhos, refrigerantes e leitinhos, vestido de camisa xadrez e chapéu de palha, o vandalismo tomou conta da FACED. Segue o vídeo de como foram os primeiros minutos de ocupação do espaço: http://youtu.be/gxGlrlpHAUo

Pois é. Quem disse que o M.E. precisa ser sisudo e careta? A quadrilha impôs à ocupação o clima que ela teria nos próximos 23 dias: cultura, diversão e arte. Porque é assim que deve ser um espaço de vivência construído por estudantes: plural e democrático. Nesse tempo todo, o DAFE tomou o cuidado de aliar pluralidade com organização impecável, de forma a tornar o espaço habitável e construído coletivamente não só pela estudantada da FACED, mas também por outras entidades estudantis da UFRGS.



Ressalte-se a importante atuação de militantes do DCE (Diretório Central dos Estudantes) e da APG (Associação de Pós-Graduandos) que não arredaram pé da luta, sempre ao lado da galera da Pedagogia. Outros CA's e DA's também deram total apoio ao movimento, como o DAECA (DA de Economia), o CHIST (CA de História),o CECS (CA de C.Sociais), o DAQ (DA de Química), dentre outros. Essas entidades, junto do DAFE, foram responsáveis por fomentar incansáveis debates políticos nas assembleias e nos fóruns da ocupação, tornando o espaço um verdadeiro laboratório de Movimento Estudantil.

Entre um debate e outro, atividades das mais diversas possíveis. De oficinas de dança, a oficinas de cerâmica. Do ping-pong, à visita de professores de outros países e estudantes de outras universidades e outros estados. Dos almoços coletivos em conjunto com os funcionários terceirizados da universidade e com a ASSUFRGS (sindicato dos servidores da UFRGS), à visita do cartunista Latuff – que deixou seu apoio irrestrito ao movimento. Ao invés de ficar listando o que rolou em 23 dias de mobilização, é mais fácil perguntar o que não rolou...


Latuff dando um salve de apoio ao movimento

Charge do Latuff

Bixetes do 2º semestre sendo recebidas no espaço

Funcionários terceirizados da universidade jogando um ping-pong na frente da ocupação

Debate do Grupo de Estudos feministas das estudantes da Letras da UFRGS

Apresentação musical na ocupação


3)      O desfecho: VITÓRIA

Na última quinta-feira (01/08), a galera deu início à desocupação do espaço. O movimento  conquistou uma importante vitória parcial e celebrou junto à direção da FACED um acordo que concede o empréstimo do espaço ao DAFE pelo período 90 dias. De fato, a oficialização ainda precisa ser deliberada pelo Consuni (Conselho da Universidade). Entretanto, caso o Conselho não delibere a cessão definitiva, o empréstimo poderá ser renovado pela FACED. O acordo foi firmado em ato realizado na própria ocupação, e recebeu a tão aguardada assinatura da diretora Simone Valdete dos Santos, que acabou por reconhecer a vitória do movimento.

Ato público para assinatura conjunta do termo de empréstimo do espaço em 01/08

Gurias do DAFE celebrando termo junto à diretora da FACED, Simone Valdete dos Santos

E, bem... Como o movimento terminou? Assim como começou: em ritmo de festa junina. A luta ainda vai continuar. Nos próximos meses o DAFE tem o desafio de manter o espaço em pé, habitado e com atividades políticas e culturais.

Segue a carta final, elaborada pelos ocupantes:

Apenas começamos...

“Do rio que tudo arrasta se diz violento, porém ninguém diz violentas as margens que o comprimem.” Bertolt Brecht

Na manhã do dia 10 de julho de 2013 iniciou-se a ocupação do espaço anteriormente locado ao Café FACED. Vinte e três dias se passaram desde a festa junina que marcou a entrada em “quadrilha” na sala que, naquele momento, servia de depósito para materiais já sem uso.
De lá para cá fizemos desse espaço ocioso um lugar vivo: repleto de formação, cultura, diversão e arte. As portas que se abriram trouxeram ventos que varreram a poeira do conservadorismo, muros foram derrubados, o marasmo deu lugar à alegria. É esse o sentido pedagógico da ação de ocupação, tantas vezes mal compreendida ou caluniada.

Hoje assinamos publicamente o acordo entre o Diretório Acadêmico da Faculdade de Educação (DAFE) e a Direção da FACED que permite a desocupação deste espaço. Chegar até ele não foi fácil, uma vez que ele ainda não contempla o objetivo principal do movimento estudantil da UFRGS: a cessão definitiva do espaço ao DAFE, que tem o compromisso de abrigar na sua sede um espaço livre para atividades de formação e todas as formas de manifestação artístico-culturais da comunidade. Este acordo foi a mediação possível no atual momento, para que o diálogo ganhe novo fôlego e a democracia frágil de até então ganhe nova chance de prosperar.

Utilizaremos o empréstimo formalizado hoje como o laboratório da práxis, que provará na prática a capacidade de organização dos estudantes; que mostrará a todos como funciona um espaço verdadeiramente aberto; que realizará no presente aquilo que queremos para o futuro. Essa é a vitória parcial que hoje conquistamos.

Entretanto, sabemos que a verdadeira vitória somente se dará com a cessão definitiva do espaço ao DAFE. Nossa campanha por essa formalização seguirá e apresentaremos nossa proposta e intenções para todas as pessoas e em todos os lugares. Mais do que isso, exigimos e seguimos demandando uma ampliação cada vez maior do debate público. Dele não nos furtaremos e não o tememos.
Cumpridos.

Estaremos vigilantes para que os compromissos assumidos sejam plenamente.

Lutar também é educar! ‪#‎OcupaFACED

“[...] todo amanhã se cria num ontem, através de um hoje [...]. Temos de saber o que fomos para saber o que seremos.” Paulo Freire

Gurizada finalizando o período de ocupação em ritmo de festa junina

segunda-feira, 17 de junho de 2013

PELA UNIDADE DA ESQUERDA NOS PROTESTOS!

Hoje, dia 17/06/2013, é um dia muito importante para a juventude de São Paulo.

Acontecerá em nossa cidade o 5º grande ato contra o aumento das tarifas do transporte público (ônibus, trens e metrôs), em resposta ao aumento abusivo no preço das passagens decretado tanto pela prefeitura de Fernando Haddad (PT) quanto pelo governo estadual de Geraldo Alckmin (PSDB). Esse ato tem um motivo especial para acontecer: além de exigir a revogação imediata do aumento, ele vem também como uma contundente resposta popular à violência da Polícia Militar de São Paulo que reprimiu duramente o último ato, ocorrido no último dia 13/06.

A Juventude Liberdade e Revolução (LibRe) esteve presente em todos os atos desde o início das mobilizações, e se soma de peito aberto aos milhares de jovens que atendem ao chamado do Movimento Passe-Livre para lutar pelos seus direitos. É hora de tomarmos o nosso lugar nas ruas e nas praças. De mostrar que nós também queremos ser ouvidos pelo poder público que, ao invés de dialogar conosco, nos presenteou com bombas e balas de borracha.

Entretanto, muito cuidado! Há algo de podre no ar...

Pessoas famosas, jornais, revistas, políticos e jornalistas que antes nos chamavam de vagabundos, baderneiros, vândalos, "revoltados filhinhos de papai", etc., repentinamente mudaram de lado e agora estão eles também convocando a população para os protestos. Navegando pelas redes sociais temos visto diferentes vídeos, textos, cartazes conclamando a população.

Será que mudaram de opinião? Não! O que eles querem fazer é que a manifestação mude o seu caráter. A moda agora é dizer que o aumento "é só a última gota". Alguns estão chegando ao cúmulo de dizer que os jovens não toleram mais “bolsa isso, bolsa aquilo”, são contra os mensaleiros, contra a corrupção, contra os impostos, contra a inflação, etc. O que estes lacaios da burguesia estão tentando fazer é capitalizar o movimento para as bandeiras da direita reacionária.

Não podemos permitir isso!

Nossa luta prossegue sendo por um transporte PÚBLICO e de qualidade, que atenda às demandas da juventude e da classe trabalhadora. Os nossos inimigos prosseguem sendo os empresários do setor de transportes: estes sim, as verdadeiras sanguessugas que mamam insaciavelmente nas tetas do Estado, às custas do dinheiro do povo.

Nós jovens estamos indignados sim! 
Mas não é com o “bolsa isso, bolsa aquilo”, nem com a corrupção de um ou outro governo em específico. Estamos é indignados com a privatização do espaço público, com a qualidade dos transportes, com a falta de mecanismos para transformar o nosso país. Estamos indignados com o modelo econômico de nosso país, que abre as porteiras para que o setor mais truculento do capitalismo venha usurpar o nosso povo. É contra isso que lutamos!

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Um chamado à esquerda: UNIDADE NOS PROTESTOS!

Na tentativa de desmoralizar e desarticular a esquerda, a burguesia - através de seus panfletos políticos que eles costumam chamar de "jornais" - vem criando intrigas no interior da mobilização. Através da distorção de falas de dirigentes dos movimentos e setores que estão envolvidos na organização dos atos, o jornal O Estado de São Paulo está publicando notícias de que o MPL, o PSTU e o PSOL irão filmar e denunciar à PM supostos "vândalos" que causam quebra-quebra em meio aos protestos.

Em outra reportagem absurda (que chega a ser cômica e patética de tão absurda), o jornal Folha de São Paulo está dizendo que o PSOL recruta punks para instaurar o caos e a baderna nos protestos, como forma de se auto-promover e atacar o PT e o PSDB.

Tratam-se de notícias manipuladas e falaciosas que visam confundir os ativistas!

Nesse momento, nós da Juventude Liberdade e Revolução (LibRe) colocamos de lado as nossas divergências com os outros grupos e movimentos de juventude, e nos solidarizamos às companheiras e companheiros das organizações envolvidas nessas falácias, fazendo um chamado à toda a esquerda para que mantenha a unidade nos protestos de hoje, 17/06/2013. A direita quer tomar para si a nossa luta, e só com unidade iremos barrar esse golpe!

Saudações, e vamos pra rua!

 

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Às ruas contra o aumento da passagem



As lutas contra o aumento das tarifas dos transportes públicos cresceu em todo país neste ano de 2013. Em várias cidades a redução foi conquistada através de muitas manifestações e protestos, como em Goiania, Vitória, Teresina e Porto Alegre. Em São Paulo não tem sido diferente. A indignação pelo aumento das passagens de ônibus e metrô para R$ 3,20 tem levado uma parte da população insatisfeita a protestar nas ruas da cidade. 

Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, determina sem qualquer possibilidade de diálogo a aplicação da cartilha repressiva da polícia, que tem em sua gênese o compromisso de defender o Estado, a propriedade privada e os interesses das classes dominantes. As manifestações são pacíficas e quando menos se espera, lá vem: a PM ataca com balas de borracha, cassetetes, bombas de efeito moral e a tropa de choque a dispersar os manifestantes. No último ato 19 pessoas foram presas. Nada de novo para o campo político reacionário que pertence Alckmin.

O que chama maior atenção é a postura do prefeito da capital, Fernando Haddad, quando apenas diz que cumpriu com o prometido em campanha “aumentando abaixo da inflação”. Porém descumpre quando destacou a capacidade de diálogo com os movimentos sociais e população pobre, que é quem está sendo atacada tanto pelo aumento da tarifa quanto pela polícia.



Sabemos que o aumento das passagens afeta diretamente a qualidade de vida das pessoas. Se locomover por São Paulo fica cada dia mais difícil com a demora que se perde no trânsito e nas condições dos transportes superlotados e inseguros. Por isso a Juventude LibRe chama a tod@s para que saiam às ruas na próxima quinta-feira, 13/06, para protestar contra o aumento da tarifa dos transportes e contra a repressão aos movimentos sociais e ao povo que luta. A concentração é às 17h na Praça Ramos de Azevedo, em frente ao Teatro Municipal.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

DECLARAÇÃO FINAL DO FÓRUM PELA PAZ NA COLÔMBIA




Porto Alegre, 24 a 26 de maio de 2013

“A unidade de nossos povos não é uma simples quimera dos homens,
e sim um inexorável decreto do destino”
Simón Bolívar

O Fórum pela Paz na Colômbia foi um sucesso porque esteve cheio de povo, de amor e de espírito unitário de toda nossa América, aquela que se vêm construindo com o suor de trabalhadores e trabalhadoras, com a resistência dos povos indígenas, com a coragem dos e das afrodescendentes, com a alegria dos e das jovens, com a valentia das mulheres e, claro, com o empenho de toda gente que dia a dia faz o possível e o impossível para sobreviver.

Ainda que com o cansaço pelos preparativos, pelas longas viagens, pelas tarefas realizadas em nossos locais mas com muito ânimo, confluímos no Fórum com a expectativa de nos encontrar, de escutar-nos e de construir os apoios necessários para a construção da paz com justiça social, soberania e democracia em nosso país irmão colombiano.

Ratificamos que a paz do continente está ligada à superação do conflito social e armado colombiano. Por isso, todas as organizações sociais e populares, os partidos políticos democráticos, progressistas e de esquerda, devemos nos comprometer na construção de um movimento nossoamericano pela paz com justiça social na Colômbia.

Este é um momento histórico em que se abriu uma possibilidade de diálogo que leve à concretização de um tratado de paz que mude o rumo da realidade colombiana, razão pela qual respaldamos sem hesitar o diálogo que acontece na emblemática cidade de Havana entre o Governo da Colômbia e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo, e clamamos pelo início do diálogo entre o Governo da Colômbia e o Exército de Libertação Nacional, ratificando o que o movimento social colombiano assinalou: “O diálogo é o caminho”.

Assim como apoiamos o diálogo do governo com as forças insurgentes, também sinalizamos a necessidade fundamental de incluir a todo o povo colombiano na construção dos acordos, dedicando todos os esforços para construir uma realidade cheia de Justiça Social como baluarte de reconciliação entre colombianos e colombianas através da participação popular como mostra da ampliação da democracia.

Estes desejos expressados em todo o desenvolvimento do Fórum não podem ficar na retórica, em declarações ou em boas intenções. É urgente a mobilização de esforços políticos e sociais de todos e todas sul-americanos/as para que os inimigos da paz e da justiça social não imponham sua lógica de violência e para que não sigam utilizando o conflito colombiano como pretexto intervencionista contra os avanços democráticos de nossos povos e de nossa autodeterminação.

Nosso fórum identifica como uma ameaça real à paz da Colômbia e do continente as manobras ofensivas contra a América Latina realizadas pelos Estados Unidos e seus aliados. Sabemos que têm o propósito de conquistar o controle absoluto sobre as riquezas de nossos povos e subordinar nossos destinos a seus interesses imperialistas. Por isso, a luta contra a militarização e pela paz com justiça social atinge níveis de urgência, exige a unidade de nossos povos e a concretização de ações que mostrem rechaço a tais propósitos.

Além da militarização da região, reconhecemos como problemáticas centrais a dependência de nossas economias do capital transnacional, a exclusão e a violência contra as mulheres, a violência contra os povos indígenas, o ataque contra a produção camponesa e, em especial, a desestabilização dos processos revolucionários e democráticos, destacadamente contra nossa irmã República Bolivariana da Venezuela.

Neste sentido, o fórum conseguiu sintetizar propostas e promover ações destinadas a materializar esses objetivos, que refletem nossos sonhos e desejos de independência, justiça social, democracia e soberania:

• Participaremos na mobilização continental de 24 de julho, dia do nascimento do libertador Simón Bolívar, em apoio ao povo venezuelano e a sua Revolução Chavista e Bolivariana. No contexto desta atividade também levantaremos as vozes de nossa América pela paz na Colômbia
• Trabalharemos para construir uma plataforma continental pela paz com justiça social para a Colômbia que tenha expressões unitárias e diversas em cada um de nossos países.
• Participaremos na jornada proposta pelos Movimentos Sociais para a ALBA contra a militarização e as transnacionais no próximo mês de outubro.
• Neste fórum se reafirma que as mulheres são fundamentais para a paz na Colômbia. Propomos o fortalecimento das Mulheres do Mundo pela Paz, que fizeram um árduo trabalho de gerar o ambiente propício para o início do diálogo de paz na Colômbia e irão promover ações de acompanhamento aos mais de 9500 presos e presas políticas, convocando a mais organizações de mulheres, e participar no mês de setembro da mobilização de mulheres pela paz com justiça social que será realizada na Colômbia.
• Os e as estudantes e jovens da América do Sul empreenderão com sua alegria e vitalidade a bela tarefa de trabalhar na Rede Latino-americana de Jovens e Estudantes pela paz na Colômbia, que começará suas ações nos próximos 8 e 9 de junho, dias em que se comemora a luta dos/das estudantes colombianos/as.
• Nos comprometemos a estar no Fórum Permanente pela Paz na Colômbia, transmitindo a voz dos movimentos sociais e populares pelos meios de comunicação das organizações, partidos políticos e centrais de trabalhadores/as.
• Os e as parlamentares reunidos/as no dia 25 de maio no contexto do fórum, farão uma declaração para ser assinada massivamente por parlamentares respaldando os diálogos de paz na Colômbia e a solicitação do cessar foto bilateral e apoiando o movimento social colombiano.
• Este fórum começa a organizar uma visita à Colômbia com brasileiros, argentinos, uruguaios e pessoas de outros países que queiram se somar, para realizar uma agenda de apoio ao movimento social colombiano. Esta visita estará organizada com atividades nas Zonas de Reserva Camponesas, com estudantes, trabalhadores/as e parlamentares. Se propõe que esta atividade seja realizada no próximo dia 13 de setembro no contexto da mobilização de mulheres pela paz na Colômbia.
• O fórum convida organizações sociais e populares, partidos políticos, mulheres, estudantes, juventudes, negritudes e povos indígenas a construir grupos amplos de solidariedade com a Colômbia.
• Aproveitamos este fórum para enviar uma mensagem de paz e amor a nosso querido povo da Palestina, a Euskal Erria e ao povo Curdo, que enfrentam há anos conflitos sociais e armados. Todas nossa solidariedade sempre será incluída em nossas mobilizações, ações ou declarações.
• Finalmente, há uma unanimidade em exigir que sejam restituídos os direitos políticos à extraordinária lutadora pelos direitos das mulheres e incansável construtora da paz, nossa amiga e companheira Piedad Córdoba.

Com essas propostas conseguimos avançar nos objetivos que traçamos como organizadores e organizadoras do Fórum pela Paz na Colômbia. Com a unidade do povo latino-americano para exigir o cessar fogo bilateral, a participação plena dos movimentos políticos e sociais na mesa de diálogos e o acompanhamento dos povos do continente e do mundo no processo de Paz com Justiça Social, Soberania e Democracia.

VIVA A PAZ COM JUSTIÇA SOCIAL NA COLÔMBIA!



VIVA A UNIDADE DO POVO LATINO-AMERICANO!



DAREMOS PELA PAZ COM DEMOCRACIA, JUSTIÇA SOCIAL E SOBERANIA ATÉ A ÚLTIMA GOTA DE NOSSOS SONHOS!