terça-feira, 8 de abril de 2014

II Encontro Nacional da Juventude LibRe: tudo pronto?

Salve galera!

E ae? Todo mundo preparado pro II Encontro Nacional da Juventude LibRe?


Nós já estamos a todo vapor, preparando todos os corres pra receber diversos jovens de vários estados do Brasil, que vão se reunir nos dias 18, 19, 20 e 21/04 na cidade de Cotia, em São Paulo.

E VOCÊ? Vai participar? 
Então vem com a gente e se liga nas informações que você precisa saber.

1) PROGRAMAÇÃO: 
se liga aí nas atividades


Sexta (18/4)
Tarde - a partir de 12h: Recepção + integração entre as delegações
Jantar - 17h/18h
Noite - 18h/22h - Mesa de abertura. Tema: O lugar da juventude nas lutas do povo

Sábado (19/4)
Café da manhã - 8h/9h
Manhã - 9h/12h - Mesa: Movimentos Sociais e Conjuntura Nacional
Almoço - 12h/13h
Tarde - 13h/16h - Mesa: A condição da mulher negra e da periferia
Jantar - 17h/18h
Noite - 19h/22h - Apresentação dos NB's da LibRe

Domingo (20/4)
Café da manhã - 8h/9h
Manhã - 9h/12h - Mesa: Movimento Estudantil e Universidade popular
Almoço - 12h/13h
Tarde - 13h/19h - Grupos de Trabalho (GT’s).
Jantar - 19h/20h
Noite - A partir das 20h - Festa de Confraternização

Segunda (21/4)
Café da manhã - 8h/9h
Manhã - 9h/12h - Plenária final: abertura dos trabalhos, Tese e resoluções tiradas nos GT’s
Almoço - 12h/13h

Tarde - 13h/16h - Finalização da plenária. Eleição da Coordenação Nacional

2) LOCAL
fica esperto com o pico

O Encontro acontecerá na cidade Cotia/SP, na região metropolitana de São Paulo.
Faremos nossas atividades no Colégio Madre Iva, localizado na Rua Nelson Raineri, 700, Lajeado - Cotia/SP (Rodovia Raposo Tavares, km 34,5) - CEP: 06702-155.
Para vir de transporte coletivo, a melhor opção é:
  1. Descer no Metrô Butantã (Butantã – São Paulo-SP)
  2. Ir até o Terminal de ônibus do Butantã (ao lado da estação de metrô)
  3. Pegar o ônibus: 035-Cotia (Mirante da Mata) – tarifa: 4,20.
  4. Descer próximo ao km 34,5 da rodovia Raposo Tavares
  5. Subir até a rua Nelson Raineri, 700 (ao lado da rodovia).
IMPORTANTÃO: Na sexta feira (18/04), estaremos organizando “comboios” para buscar as pessoas que chegarem, nas rodoviárias ou aeroportos, e também nas estações de metrô. Para isso é necessário o preenchimento da ficha de inscrição (anexo) e informar com antecedência à comissão de infraestrutura o horário e local de chegada (aeroporto ou rodoviária). Enviar essas informações para sorglibre@gmail.com

3) ALOJAMENTO E ALIMENTAÇÃO
onde a gente vai dormir e comer

O local onde realizaremos o Encontro possui banheiros coletivos, equipados com chuveiros, cozinha, e espaço para nossas atividades. A alimentação e o alojamento serão disponibilizados para todos que vierem ao Encontro. O alojamento será em dois espaços: uma área coberta e um espaço ao ar livre, para montarmos barracas. Portanto, pedimos a todos que puderem que tragam barracas para utilizarmos também esse espaço ao ar livre.

Será cobrada uma taxa de inscrição no valor de R$15 reais, a fim de cobrir os custos da alimentação e o aluguel do espaço que utilizaremos. Nesse valor, já estará incluso a alimentação e o alojamento.

4) O QUE PRECISA TRAZER?
os bagulho pra dormir

- Uma barraca para acampar (se for possível, senão, teremos espaço coberto).
- Saco de dormir/colchão e roupa de cama.
- Roupa de banho.

Qualquer coisa, dá um salve na gente!

Jullyana – (11)94813.1301
Rafael – (11)95215.2966
Vivi - (11)98650.4270
Wesllen – (11)95335.5560
Glauco – (51)9506.4059 / (54)9689.9617
Bruno - (11) 98642.7856

http://juventudelibre.blogspot.com.br/

http://facebook.com/juventude.libre

e-mail: juventudelibre@yahoo.com.br



terça-feira, 4 de março de 2014

[8 de março] Juventude LibRe participa de ato político no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ipixuna (Pará)

Nos próximos dias 07 e 08/03, o núcleo da Juventude LibRe do Pará irá participar de um ato político-cultural no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ipixuna (cidade do interior do estado). O propósito da atividade é discutir o 8 de março, dia internacional da luta das mulheres, e a realidade da mulher trabalhadora.

Segue a programação.

07/03


19h
SARAU CULTURAL
Música, Poesia, Fotos, Textos acerca da Luta das Mulheres.

08/03


08h30
ATO POLÍTICO-CULTURAL
Abertura pelo Presidente do Sindicato e exposição sobre o significado do 08 de Março. Participação: Marcia Batista, Fátima Afonso e Érica Castro.

Exibição do filme “Norma Rae”, um filme sobre a mulher e a luta sindical.

14h30
OFICINA: “Gênero – O que é?

18h 
Encerramento com Música.


Apoio: 
Movimento de Mulheres “Rosa Luxemburgo"
Juventude LibRe - Liberdade e Revolução
Associação Cultural S/E.





segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

O dia em que a PM "fatiou" uma manifestação em São Paulo

No último sábado, dia 22 de fevereiro, aconteceu o que era pra ser o 2º Ato contra a Copa do Mundo.

Era pra ser. Mas não foi. 

A Polícia Militar do estado de São Paulo botou um ponto final na manifestação que não chegou a durar nem 1 hora. O raciocínio da PM foi o de acabar rapidamente com o protesto e deter o maior número possível de pessoas. Ao todo, foram 262 detenções, número que não se via desde as Jornadas de Junho. O coronel Celso Luis Pinheiro, comandante do policiamento no centro, disse para a imprensa, neste domingo, 23, que a operação policial foi um "sucesso". Não era pra menos: o número de policiais era incrivelmente superior ao de manifestantes. Para cada duas pessoas, havia três PM’s, segundo dados da própria polícia.

Até aí, nenhuma novidade. Quem está na rua há tempos, travando as lutas sociais do povo, não se surpreende mais com a violência policial desmedida e desproporcional. Há, entretanto, duas coisas novas no bailão da repressão. A primeira, foi a estreia de uma tropa especial de policiais com treinamento em jiu-jitsu e artes marciais. Essa tropa, que não anda com armamento de fogo, está sendo apelidada de “Tropa de Braço”, ou “Tropa Ninja”, e tem como tática atacar e prender individualmente manifestantes identificados como vândalos. Os critérios pra se identificar os tais “vândalos” são totalmente obscuros e aleatórios. Aliás, é preciso dizer: a ação da PM ocorreu antes de qualquer depredação.

Cerco armado pela PM. A ação foi apontada como totalmente irregular por advogados e juristas.

A segunda novidade foi a emboscada que a PM armou pra cima do ato. Na rua Xavier de Toledo, em frente à estação Anhangabaú do Metrô, os policiais “fatiaram” a manifestação, isolando e cercando quem estava na linha de frente. Todos que estavam ali, sem exceção, foram detidos e fichados. No universo das polícias do mundo inteiro, essa tática para prender manifestantes não é nova. Foi usada largamente pela polícia alemã na década de 1980, quando era chamada de “Caldeira de Hamburgo” (Hamburger Kessel). A tática consiste em cercar os manifestantes por quanto tempo for necessário até que possam levá-los detidos. Durante o cerco, os manifestantes são impedidos de comer, beber ou ir ao banheiro. A primeira utilização da "Caldeira de Hamburgo" foi em 1986 num protesto contra a energia nuclear na Alemanha. Hoje essa tática é proibida por lei, e os quatro policiais responsáveis pelo caso de Hamburgo foram condenados por crime de privação de liberdade. A PM de SP está, portanto, atrasada 30 anos em comparação com os alemães.

Violência ontem e hoje. Acima, ação da polícia alemã em 1986, a "Caldeira de Hamburgo", que hoje é proibida por lei na Alemanha. Abaixo, o cerco da PM paulista no ato de sábado.

Advogados e juristas apontam diversas irregularidades na ação policial do dia 22. O procedimento utilizado é totalmente inconstitucional, pois violou o livre direito à manifestação pública, além de outras graves infrações cometidas pela polícia. Após a confusão na Rua Xavier de Toledo, por exemplo, os advogados foram expulsos do cordão de isolamento onde estavam os detidos e não puderam acompanhar a revista. Não há dúvidas de que a PM agiu de forma deliberada para acabar com o protesto quando a passeata chegou na Xavier de Toledo. Igualmente, não há dúvidas de que isso é um sinal de que a repressão irá aumentar muito até a Copa. Manifestantes, ativistas, militantes e líderes de movimentos sociais estão sendo fichados para ficar sob vigilância do Estado e dos órgãos de segurança.

Vídeo feito por um cinegrafista amador que participava do ato, mostra o momento do cerco.
 


Os governantes temem a cada dia mais o surgimento de uma nova onda de protestos, como aconteceu em junho de 2013. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) está fazendo uso político da repressão, levantando a bandeira da “eficiência” da PM paulista na neutralização dos conflitos de rua. Para isso, utiliza-se da suas prerrogativas de governante ao mesmo tempo em que fecha os olhos para as leis e para a constituição federal. A tática dos governos está operando cada vez mais na lógica de forçar os limites da justiça, e ver até onde eles possuem respaldo para reprimir (à revelia dos direitos do povo).

sábado, 21 de dezembro de 2013

II Encontro Nacional da Juventude LibRe – Liberdade e Revolução


Conhece a tua história. Escreve a tua história. 


“Eles têm a força. Poderão nos avassalar. Mas não se detém os processos sociais nem com o crime nem com a força. A história é nossa e a fazem os povos”.
(Salvador Allende, último discurso no palácio de La Moneda, 1973)

“Se a história é nossa, deixa que nóis escreve”
(Inquérito, Poucas Palavras, 2013)


Em 2013, a Juventude LibRe completou cinco anos de existência. São cinco anos de uma história da qual nos orgulhamos muito. São cinco anos de muitas lutas que travamos ao lado do povo, nas nossas escolas, nos nossos bairros e comunidades, e nas nossas universidades, sempre guiados pelos ideais de liberdade e revolução. São cinco anos de saraus nas quebradas, de construção dos centros culturais A Arte de Fazer e Mandacaru, de movimento estudantil, de luta pela Universidade Popular, de luta por acesso e permanência estudantil nas universidades, de gritos rebeldes contra o machismo, o racismo e a homofobia. Tudo isso faz parte de uma história nossa, muito nossa. E dela não abrimos mão! Entretanto, sabemos: a caminhada que se segue não é de agora. A Juventude LibRe é ela também fruto de lutas sociais que antecederam a nossa fundação no dia 19/07/2008. Reivindicamos para nós a história dos oprimidos que se levantaram contra seus opressores. Essa história é o oxigênio para a nossa ousadia e nossa insubmissão frente aos que exploram o povo.

É hora de nos encontrarmos novamente. Escutar o passado e debater o presente. Com as recentes jornadas de junho de 2013, vimos renascer no Brasil a indignação popular e as grandes manifestações de massa. Problemas que antes passavam despercebidos caíram na boca da população e foram debatidos nas esquinas de todo o país. Ecoaram gritos de mudança pelas ruas e ninguém mais quis ficar quieto. A juventude retomou para si a capacidade de ser porta voz de sua própria realidade. Em meio aos protestos, os mais velhos teciam comparações com acontecimentos que eles viveram no passado. Percebemos então que a nossa realidade tinha algo de inédito, e já não podíamos mais ficar presos às gerações que nos antecederam. Era preciso dar rumo ao nosso próprio bonde. Por outro lado, sem as referências históricas não saberíamos o que fazer e em que momento agir. Quando olhamos pra trás entendemos que a nossa maior herança é a luta. Não podemos deixar morrer a memória dos povos que se levantaram contra as injustiças desse mundo, pois o fio que nos une aos nossos antepassados é (e sempre será) a luta. Devemos assim como eles caminhar rumo à revolução. Devemos ser protagonistas de nossa própria história através da luta popular. Sem reprises, mas com o mesmo sentimento. Se como disse Salvador Allende, “a história é nossa, e a fazem os povos”, então vamos escrevê-la juntos, descobrindo quem somos e lutando pelo que queremos.

Embalados por esse espírito e de peito aberto pra encarar o futuro, convidamos nossos militantes, amigos, parceiros e aliados para participar do II Encontro Nacional da Juventude Liberdade e Revolução, que será realizado nos dias 18, 19, 20 e 21 de abril de 2014 na cidade de Cotia, SP.

Da luta, não fujo não, sou Juventude Liberdade e Revolução.
20 de dezembro de 2013


sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

PARA SEMPRE MANDELA!! ADEUS TATA MADIBA!!!

”Eu fui chamado de terrorista ontem. Mas quando eu saí da prisão, muitas pessoas me abraçaram, inclusive os meus inimigos. E isso é o que eu normalmente digo às outras pessoas que dizem que aqueles que estão lutando pela libertação do seu país são terroristas. Eu digo a eles que ontem eu também era considerado um terrorista. Mas, hoje, sou admirado pelas mesmas pessoas que disseram que eu era um “
Nelson Mandela


É preciso dizer:

Muito antes de ser considerado um grande estadista, Mandela já era um símbolo dos guetos negros sul-africanos por ter dedicado sua vida à luta contra o apartheid. Uma luta marcada pela clandestinidade e pela luta armada. Uma luta que lhe fez permanecer preso por décadas, fazendo-o se tornar líder de uma guerra implacável pelo fim do regime racista dos brancos invasores. É preciso dizer e repetir muitas vezes: enquanto a maioria dos governos ocidentais e da grande mídia tentavam queimar o filme de Mandela - chamando-o de "terrorista" - o reconhecimento internacional à sua luta e de todo o movimento anti-apartheid vinha de ativistas, músicos e pouquíssimos governantes. 

Hoje a mídia tenta esconder, mas Fidel Castro foi um dos poucos líderes mundiais que lhe atribuíam esse merecido reconhecimento. Igualmente, poucos lembram que foi somente em 2008 que os EUA retiraram o nome de Mandela da lista de perigosos terroristas que ameaçam a paz mundial (confira a notícia nesse link). 

Mas a história é marcada por ironias e cinismos!
Hoje todos choram (ou dizem chorar) a morte de Mandela.
Hoje todos lhe chamam de herói.

Mas os opressores do povo não nos enganam. Sabemos que o opressor dorme todos os dias com medo de que os oprimidos tenham líderes como Mandela. Sabemos que os novos Mandelas do futuro serão chamados de terroristas, serão combatidos, presos e mortos. Sabemos que os Mandelas de hoje estão nas periferias de todo o mundo, morrendo numa luta pela dignidade humana. A grande mídia branca e racista tenta nos iludir, com mensagens e discursos pacifistas. A estes nós dizemos: não passarão!

Madiba é nosso!
Madiba é do povo preto e pobre da periferia.
Madiba é dos que lutam pelo fim da opressão.

Mandela é o guerrilheiro negro que empunhou a LANÇA DE UMA NAÇÃO
Umkhonto we Sizwe – "Lança de uma Nação" - também conhecido pela sigla "MK", foi criado em 1961 como o braço guerrilheiro do movimento anti-apartheid, e teve Mandela como seu primeiro comandante de guerra. Era a resposta do movimento ao Massacre de Sharpeville (massacre onde foram assassinados 69 ativistas negros sul-africanos). Naquele momento, o movimento anti-apartheid compreendeu que o regime racista não poderia mais ser combatido com táticas pacifistas. Esse é o Mandela que o opressor quer nos esconder. Essa é a história que tentam calar e apagar da memória do povo. 



A Juventude LibRe está de luto pela morte de Madiba.
Madiba é símbolo de nossa luta, e não desse pretenso ativismo "pacifista" e "democrático" que hoje querem imprimir à sua história. Madiba é símbolo da luta implacável contra as injustiças desse mundo, doa a quem doer.

No luto e na luta, cantemos o hino de Umkhonto we Sizwe






sexta-feira, 22 de novembro de 2013

O sopro dos ventos de Junho na Universidade: as mobilizações por Democracia na USP - outubro/novembro de 2013

O início da mobilização
No dia 1° de Outubro, deu-se um importante passo na luta política por democracia na USP. Foi realizado um ato unificado das três categorias - Funcionários, Docentes e Estudantes - exigindo a democratização dos processos decisórios da universidade. A USP, uma das mais antigas universidades do país, ainda possui uma estrutura arcaica e antidemocrática que dificulta, ou melhor, bloqueia, o diálogo de sua direção com a comunidade universitária. Qual o resultado disso? A livre condução da universidade sob a lógica do capital e a serviço da elite econômica e política do país, impedindo qualquer passo na construção de uma universidade democrática e popular.
Para se ter uma ideia do quão autoritário são os processos decisórios na USP, nem 3% da comunidade universitária pode votar para Reitor, sendo o Conselho Universitário (CO), composto majoritariamente por professores titulares, quem decide os três candidatos ao reitorado. Quando se pensa que não pode ser mais antidemocrático e restrito o processo de eleição, a decisão final se dá através da nomeação feita pelo governador do Estado que escolhe o reitor através da lista tríplice apresentada por esse conselho.
Os estudantes, os funcionários e os professores há tempos se cansaram dessa estrutura conservadora e excludente de votação. Por isso, a pauta de diretas para reitor é um acúmulo de décadas que vem sendo sistematicamente imobilizada pelos de “cima”, ou seja, pela burocracia universitária. E como é barrada essa mobilização? Através de uma forte repressão e perseguição daqueles que ousam lutar. Não esquecemos que na greve de 2011, oito estudantes foram expulsos da USP com base em um regimento disciplinar da época do regime militar!
Por isso, a última reunião do Conselho Universitário, que culminou na ocupação da reitoria, foi apenas mais uma forma da elite burocrática da USP burlar as demandas da comunidade universitária, fazendo alguns  “retoques” que não trazem a mudança necessária  na universidade. Nessa reunião, foi decidido que não haverá mais o 2º turno (no qual somente o CO votava para reitor) e a estrutura da votação no 1º turno, já bastante exclusiva, foi mantida. Foram criadas, ainda, a obrigatoriedade de inscrição de chapas dos candidatos a reitor e um plebiscito à comunidade universitária, com resultado a ser divulgado cinco dias antes das eleições se iniciarem (de caráter apenas consultivo!). A Reforma do Estatuto da USP ficou como indicativo para a gestão do próximo reitor, a ser discutida pelo CO em 2014.
A decisão não contemplou as revindicações da comunidade universitária, afinal, não basta um verniz democrático mas uma democracia que de fato possa servir para realizarmos as mudanças que queremos ver na universidade. Diante da intransigência e a total falta de diálogo do CO, o ato terminou na ocupação da reitoria e, após Assembléia Geral, os estudantes deliberam Greve.
O movimento e suas pautas
Após a deliberação de greve, vimos crescer a mobilização por vários cantos da USP: cursos que não tinham um histórico recente de mobilização, como a a Geologia e a Farmácia por exemplo, permaneceram uma semana em greve. A Física aprovou greve com “cadeiraço”, a Educação Física entrou em greve e conseguiu importantes conquistas internas. A mobilização favoreceu também o debate político em alguns cursos, como na já citada Geologia, onde os estudantes do curso conseguiram realizar vários debate, entre eles o de Universidade Popular. Na greve, aprovaram-se cinco eixos que dialogaram com a bandeira geral de democratização da universidade, que foram: Diretas para Reitor, Estatuinte Livre Soberana e Democrática, Devolução dos Blocos K e L, Cotas e Não a Repressão.
A ocupação e a decisão de greve tiveram como estopim a reunião do CO e a exigência de Diretas para Reitor. Mas não podemos esquecer da existência de outras demandas, como acesso e permanência estudantil, que dialogam diretamente com  a verdadeira democratização da universidade. Esses eixos foram a devolução dos blocos de moradia estudantil K e L e a aprovação do PL de cotas sociais e raciais. Eles foram deliberados na primeira assembléia estudantil pós-ocupação, apesar do pouco empenho de alguns setores estudantis, o que demonstra como é necessário lutarmos e disputarmos o lugar do acesso e da permanência nos fóruns do movimento.
E por que esse eixo dialoga tanto com a verdadeira democratização da universidade? Para nós, da Juventude LibRe, só haverá democracia de fato quando a universidade abrir suas portas para a população! Se não combatermos o caráter elitista e excludente da universidade, não há sentido em falar de democracia! Por isso as lutas travadas no movimento universitário não devem ter um fim nelas mesmas mas sim romper com o caráter que infelizmente permeia não só a USP mas a totalidade das universidades públicas do Brasil - que são a aversão à periferia e à juventude proletária, a produção de conhecimento para o mercado e a falta de diálogo com as demandas da sociedade. A luta por democracia não pode ser desvinculada da luta por uma universidade popular, que rompa com a lógica da universidade do capital, e que se volte para o povo, em vez da elite, e para sociedade, em vez do mercado e das fundações privadas. Para tanto, a democracia deve estar presente não só na possibilidade de votar, mas também no acesso e na permanência, na produção e destinação do conhecimento acadêmico.
Um balanço
A mobilização que aconteceu na USP nesses dois últimos meses nos lembrou que é possível, construindo um movimento coeso e propositivo, avançar nas lutas e conquistar vitórias. Infelizmente, ela não teve o fim que desejávamos. A reintegração de posse da reitoria aconteceu no dia 12/11, e dois estudantes foram presos arbitrariamente e correm risco de serem processados. A negociações, que estavam sendo feitas com a reitoria, emperraram e ainda não sabemos qual futuro terão.
Muitos fatores contribuíram para esse desfecho indesejado. De um lado, o movimento foi se esvaecendo com a dificuldade de diferenciarmos o que desejávamos do que poderíamos de fato conquistar. Sem uma clareza estratégica das possibilidades de vitória que a greve tinha, perdemos tempo e energia muito valiosos em discussões tais quais se teríamos como eixo “diretas pra reitor” ou “governo tripartite”. As pautas foram sendo disputadas na lógica da “marcação de posição” entre as organizações.
Visualizando essas questões, nós, como estudantes e militantes, podemos nos perguntar: como poderíamos ampliar a mobilização estudantil e tornar a luta sempre capaz de se renovar? Como fazer com que a greve não termine com repressão e refluxo do movimento? É chegada a hora do movimento estudantil se propor uma reflexão sobre suas estratégias e práticas, para que possamos avançar nas lutas e também nas conquistas. Vemos, cada vez com mais clareza, a falta de um horizonte estratégico comum que norteie e dê sentido para as nossas lutas e revindicações no presente. É o momento de aprofundarmos o debate de que universidade de fato queremos, para que possamos - com um projeto de universidade formulado - partir para a ofensiva.
O saldo final não é negativo, pelo contrário, provamos para muitos que  o movimento estudantil tem força, a final, essa foi a maior greve em cinco anos, desde 2007. A maioria dos estudantes que se envolveu nesse movimento nunca tinha participado de uma mobilização dessa proporção. Partindo da ideia de que todo ato histórico deixa - seja lá o seu resultado - marcas nos seus agentes, quem sabe não possamos, munidos agora da experiência recente, aprofundar e amadurecer nossa atuação? E, por que não, possamos compreender a urgência histórica de voltarmos nossos olhares para o mesmo horizonte? Lutamos para que seja o da Universidade Popular.
 Juventude Liberdade e Revolução 
22/11/2012

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Um junho que prossegue...



Foto: Ramiro Furquim/Sul21

“Não é por vinte centavos”...

Há algo de novo nesse junho que não acabou. O projeto desenvolvimentista – sustentado pela burguesia, os monopólios e o latifúndio – tem como centro a maximização dos lucros, passando por cima de direitos fundamentais, como moradia e transporte. Contrariando os discursos dos governos que pintam um Brasil em grande desenvolvimento - com ampla distribuição da riqueza, democracia e justiça social - a juventude, aliada a amplas camadas populares, saiu às ruas expressando sua indignação. A juventude brasileira tem mostrado que não quer ver seu transporte, sua educação, seu lazer, sua arte, sua vida, transformados em mercadoria, indicando um caminho para uma vida sem catracas: a mobilização popular. Mobilização que tem sido criminalizada e reprimida pelas polícias e até exército, mostrando a face antidemocrática deste projeto de sociedade.

Somos estudantes, e temos muito a ver com tudo isso!

Neste contexto de lutas populares a disputa que novamente se abre é de projeto de sociedade. A universidade não está isenta desta disputa. Lutar pelo caráter público da universidade é se opor à ingerência cada vez maior da iniciativa privada em nossa formação e produção de conhecimento. Para nós, a única forma de se contrapor ao projeto privatista em curso é apresentar um projeto alternativo e popular de universidade, para além da lógica do capital.

O Movimento Estudantil precisa de estratégia política!

Nos princípios da década de 1960 – anos anteriores ao golpe empresarial-militar – o movimento estudantil brasileiro se engajou na construção de um projeto de educação universitária que respondesse às demandas das camadas populares, juntando-se aos trabalhadores na luta pelas reformas de base (reforma agrária, reforma urbana, reforma educacional, etc.). Neste período, construíram-se Seminários Nacionais Pela Reforma Universitária, que tinham como objetivo promover uma discussão sobre para que(m) deve servir o conhecimento produzido nas universidades públicas. Em tais seminários se definiu que a luta universitária não deveria se restringir às demandas da universidade, mas sim responder às demandas populares como um todo.

Buscamos resgatar essa luta, construindo um projeto de luta por uma universidade popular.

Para tal construção, temos como tarefa imediata a defesa intransigente do caráter público de nossas universidades, e a isso entendemos que ensino, pesquisa e extensão devam ter financiamento 100% público e que devam servir aos interesses do povo, sem sofrer ingerências da iniciativa privada.
Propomos assim, o fortalecimento de movimentos por uma universidade popular construídos de baixo para cima. Nós construímos e tivemos uma série de experiências dentro e fora da UFRGS, dando força para iniciativas como o Grupo de Trabalho Universidade Popular (GTUP), bem como a diversos projetos de pesquisa e extensão popular, sempre respeitando suas autonomias.

Para que(m) serve um DCE?!

Acreditamos que a luta por uma universidade popular é uma luta que deva ser travada em várias frentes. Devemos, desde baixo, fazer um trabalho de formiguinha, construindo espaços de diálogo junto aos estudantes –especialmente os que dependem de assistência estudantil, moradores da casa de estudante, estudantes trabalhadores, mães, cotistas – para junto a estes construir agendas de lutas, mobilizações e organização. E igualmente estarmos presentes nos debates acerca das entidades, como Centros e Diretórios Acadêmicos, Executivas de curso e o Diretório Central dos Estudantes. Tanto o DCE como as demais entidades devem ser ferramentas que impulsionem essas lutas e possam ser espaços democráticos, não só de representação, mas fundamentalmente de participação dos estudantes.
Neste momento eleitoral, é responsabilidade nossa dar uma resposta à disputa que se apresenta. Diante da conjuntura política que vivemos com a proximidade da copa do mundo e à intensificação das lutas populares, é nosso dever refletir sobre esse processo. Devemos identificar quem esteve ao lado das classes populares nas mobilizações e quem esteve defendendo o projeto desenvolvimentista dos governos. Devemos igualmente identificar aqueles que estiveram ombro a ombro conosco e com os estudantes pobres nas lutas próprias da universidade.
Se fizermos essa reflexão, constataremos que os companheiros que hoje compõem a chapa 1 - “Nada será como antes...” - estiveram construindo as mobilizações pelo transporte público de qualidade, pelas ações afirmativas, contra a resolução 19, pelos espaços estudantis, entre outras. Entendemos que, mesmo com uma gestão passível de críticas em vários aspectos, é notório o esforço dos companheiros para aprimorar o modelo de funcionamento da entidade e sua intransigente luta pelo caráter público de nossa universidade.
Dentre as opções que se apresentam, é a chapa 1 a única capaz de manter o DCE nestas trincheiras e ainda evitar o retrocesso de uma possível vitória de setores que apoiam o projeto desenvolvimentista, privatista e antidemocrático de universidade e sociedade.
Nesse momento, privilegiaremos outros espaços em que atuamos, como grupos de extensão popular, cursinhos populares, entidades estudantis de base, movimentos sociais, entre outros, e por isso nossas organizações decidiram não compor este ano nenhuma chapa para o DCE. Entretanto, de forma independente, nossa posição é chamar nossa militância, amigos e simpatizantes a votarem na chapa 1 - “Nada será como antes...”, por um DCE independente das reitorias e governos, que consiga superar seus limites e fragilidades na práxis da luta por uma universidade pública e popular.

Saudações comunistas!

Porto Alegre, 13 de novembro de 2013.

Juventude Comunista Avançando (JCA)

Juventude Liberdade e Revolução (LibRe)