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sexta-feira, 1 de abril de 2011

O que a falácia da ditabranda revela

Em um editorial publicado no dia 17 de fevereiro de 2009, o jornal Folha de S. Paulo utilizou a expressão “ditabranda” para se referir à ditadura que governou o Brasil entre 1964 e 1985. Na opinião do jornal, que apoiou o golpe militar de 1964 que derrubou o governo constitucional de João Goulart, a ditadura brasileira teria sido “mais branda” e “menos violenta” que outros regimes similares na América Latina.

Como já se sabe, a Folha não foi original na escolha do termo. Em setembro de 1983, o general Augusto Pinochet, em resposta às críticas dirigidas à ditadura militar chilena, afirmou: “Esta nunca foi uma ditadura, senhores, é uma dictablanda”. Mas o tema central aqui não diz respeito à originalidade. O uso do termo pelo jornal envolve uma falácia nada inocente. Uma falácia que revela muita coisa sobre as causas e consequências do golpe militar de 1964 e sobre o momento vivido pela América Latina.

É importante lembrar em que contexto o termo foi utilizado pela Folha. Intitulado “Limites a Chávez”, o editorial criticava o que considerava ser um “endurecimento do governo de Hugo Chávez na Venezuela”. A escolha da ditadura brasileira para fazer a comparação com o governo de Chávez revela, por um lado, a escassa inteligência do editorialista. Para o ponto que ele queria sustentar, tal comparação não era necessária e muito menos adequada. Tanto é que pouca gente lembra que o editorial era dirigido contra Chávez, mas todo mundo lembra da “ditabranda”.

A falta de inteligência, neste caso, parece andar de mãos dadas com uma falsa consciência culpada que tenta esconder e/ou justificar pecados do passado. Para a Folha, a ditadura brasileira foi uma “ditabranda” porque teria preservado “formas controladas de disputa política e acesso à Justiça”, o que não estaria ocorrendo na Venezuela. Mas essa falta de inteligência talvez seja apenas uma cortina de fumaça.

O editorial não menciona quais seriam as “formas controladas de disputa política e acesso à Justiça” da ditadura militar brasileira, mas considera-as mais democráticas que o governo Chávez que, em uma década, realizou 15 eleições no país, incluindo aí um referendo revogatório que poderia ter custado o mandato ao presidente venezuelano. Ao fazer essa comparação e a escolha pela ditadura brasileira, a Folha está apenas atualizando as razões pelas quais apoiou, junto com a imensa maioria da imprensa brasileira, o golpe militar contra o governo constitucional de João Goulart.

Está dizendo, entre outras coisas, que, caso um determinado governo implementar um certo tipo de políticas, justifica-se interromper a democracia e adotar “formas controladas de disputa política e acesso à Justiça”. A escolha do termo “ditabranda”, portanto, não é acidental e tampouco um descuido. Trata-se de uma profissão de fé ideológica.

Há uma cortina de véus que tentam esconder o caráter intencional dessa escolha. Um desses véus apresenta-se sob a forma de uma falácia, a que afirma que a nossa ditadura não teria sido tão violenta quanto outras na América Latina. O núcleo duro dessa falácia consiste em dissociar a ditadura brasileira das ditaduras em outros países do continente e do contexto histórico da época, como se elas não mantivessem relação entre si, como se não integrassem um mesmo golpe desferido contra a democracia em toda a região.

O golpe militar de 1964 e a ditadura militar brasileira alimentaram política e materialmente uma série de outras ditaduras na América Latina. As democracias chilena e uruguaia caíram em 1973. A argentina em 1976. Os golpes foram se sucedendo na região, com o apoio político e logístico dos EUA e do Brasil. Documentos sobre a Operação Condor fornecem vastas evidências dessa relação.

Recordando. A Operação Condor é o nome dado à ação coordenada dos serviços de inteligência das ditaduras militares na América do Sul, iniciada em 1975, com o objetivo de prender, torturar e matar militantes de esquerda no Brasil, Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai e Bolívia.

O pretexto era o argumento clássico da Guerra Fria: "deter o avanço do comunismo internacional". Auxiliados técnica, política e financeiramente por oficiais do Exército dos Estados Unidos, os militares sul-americanos passaram a agir de forma integrada, trocando informações sobre opositores considerados perigosos e executando ações de prisão e/ou extermínio. A operação deixou cerca de 30 mil mortos e desaparecidos na Argentina, entre 3 mil e 7 mil no Chile e mais de 200 no Uruguai, além de outros milhares de prisioneiros e torturados em todo o continente.

Na contabilidade macabra de mortos e desaparecidos, o Brasil registrou um número menor de vítimas durante a ditadura militar, comparado com o que aconteceu nos outros países da região. No entanto, documento secretos divulgados recentemente no Paraguai e nos EUA mostraram que os militares brasileiros tiveram participação ativa na organização da repressão em outros países, como, por exemplo, na montagem do serviço secreto chileno, a Dina. Esses documentos mostram que oficiais do hoje extinto Serviço Nacional de Informações (SNI) ministraram cursos de técnicas de interrogatório e tortura para militares chilenos.

Em uma entrevista ao jornal O Estado de São Paulo (30/12/2007), o general Agnaldo Del Nero Augusto admitiu que o Exército brasileiro prendeu militantes montoneros e de outras organizações de esquerda latino-americanas e os entregou aos militares argentinos. “A gente não matava. Prendia e entregava. Não há crime nisso”, justificou na época o general. Humildade dele. Além de prender e entregar, os militares brasileiros também torturavam e treinavam oficiais de outros países a torturar. Em um dos documentos divulgados no Paraguai, um militar brasileiro diz a Pinochet para enviar pessoas para se formarem em repressão no Brasil, em um centro de tortura localizado em Manaus.

Durante a ditadura, o Brasil sustentou política e materialmente governos que torturaram e assassinaram milhares de pessoas. Esconder essa conexão é fundamental para a Folha afirmar a suposta existência de uma “ditabranda” no Brasil. A ditadura brasileira não teve nada de branda. Ao contrário, ela foi um elemento articulador, política e logisticamente, de outros regimes autoritários alinhados com os EUA durante a guerra fria. O editorial da Folha faz eco às palavras do general Del Nero: “a gente só apoiava e financiava a ditadura; não há crime nisso”.

Não é coincidência, pois, que o mesmo jornal faça oposição ferrenha aos governos latino-americanos que, a partir do início dos anos 2000, levaram o continente para outros rumos. Governos eleitos no Brasil, na Venezuela, na Bolívia, na Argentina, no Paraguai e no Uruguai passam a ser alvos de uma sistemática oposição midiática que, muitas vezes, substitui a própria oposição partidária.

A Folha acha a ditadura branda porque, no fundo, subordina a continuidade e o avanço da democracia a seus interesses particulares e a uma agenda ideológica particular, a saber, a da sacralização do lucro e do mercado privado. Uma grande parcela do empresariado brasileiro achou o mesmo em 64 e apoiou o golpe. Querer diminuir ou relativizar a crueldade e o caráter criminoso do que aconteceu no Brasil naquele período tem um duplo objetivo: esconder e mascarar a responsabilidade pelas escolhas feitas, e lembrar que a lógica que embalou o golpe segue viva na sociedade, com um discurso remodelado, mas pronto entrar em ação, caso a democracia torne-se demasiadamente democrática.


Escrito por Marco Aurélio Weissheimer



Publicado no site Carta Maior

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Ato em apoio à revolução no Egito em São Paulo nesta sexta-feira, 17H, AV. PAULISTA, N. 900.


A Frente em Defesa do Povo Palestino, que reúne mais de 50 instituições, entre centrais sindicais, movimentos sociais e entidades árabes-brasileiras e islâmicas, além de indivíduos solidários à causa, realiza na próxima sexta-feira (11/2) ato em apoio ao movimento popular no Egito contra a ditadura Mubarak, a favor da autodeterminação dos povos e da liberdade de expressão. A concentração será em frente ao prédio da Gazeta, na Av. Paulista, 900, a partir das 17h.


A onda de protestos que teve início na Tunísia – conhecida como a Revolução do Jasmim, que culminou com a queda do ditador naquele país – se estendeu ao Egito e evidencia o esgotamento dos regimes autoritários ali e em outros destinos da região. Apesar das inúmeras prisões arbitrárias, repressão e mortes, as manifestações vêm se intensificando a cada dia, com milhares de pessoas nas ruas dia e noite, desafiando inclusive o toque de recolher imposto pelo regime totalitário.


Os EUA e Israel buscam como saída para o imbróglio que se formou uma transição denominada pacífica e moderada para uma “democracia” em que os povos do Egito e da Tunísia continuem sofrendo os horrores impostos por uma situação de total submissão aos interesses do império. Como parte dessa estratégia, Mubarak designou um comitê para reforma constitucional e anunciou que não continuará no governo após a realização de eleições em setembro próximo, mas não admite deixar o poder antes disso. Ao que a população, cansada de exércitos nas ruas, prisões, desaparecimentos e outras arbitrariedades, diz não. Sua exigência é de uma mudança radical imediata. Nesse sentido, as manifestações do povo no Egito cumprem papel crucial na emancipação e autodeterminação dos povos do Oriente Médio. E o sentimento crescente é que a solução para seus problemas imediatos passa necessariamente pelo rompimento com o imperialismo. As iniciativas em São Paulo vêm se somar a esse movimento, pelo fim da tirania, por democracia e liberdade.
FRENTE EM DEFESA DO POVO PALESTINO

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Feministas condenam construção de nova base militar estadunidense

Honduras deve construir, em breve, mais uma base militar com a justificativa de combater o narcotráfico e o crime organizado. O projeto, que tem o apoio dos Estados Unidos, está causando o descontentamento de organizações sociais do país por considerarem que a atitude do governo hondurenho dá máxima abertura para que os EUA manipulem e ocupem o território como se fosse parte de seu país.

Atualmente, Honduras já tem uma base militar instalada em Laguna de Caratasca, no departamento de Gracias a Dios, onde realiza operações conjuntas com o exército dos Estados Unidos. A próxima base militar será instalada na ilha de Guanaja. Com mais este projeto de ocupação, Honduras deverá exercer o controle em uma parte do Caribe. Ainda não há informações sobre os custos do projeto.

O argumento utilizado pelo governo, de que a iniciativa visa combater o narcotráfico, é questionada. As integrantes do Movimento de Mulheres pela Paz "Visitación Padilla" condenaram a atitude entreguista do governo golpista de Porfirio Lobo. Segundo elas, a expansão da atuação dos EUA em Honduras nada mais é do que uma boa oportunidade para ocupar e manipular este território.

"Dolorosamente vivemos a invasão descarada dos ianques que sem autorização legal, e sem consulta a nosso povo voltam a converter-nos em seu "pátio traseiro" como nos chamou Ronald Reagan nos anos 80, evidenciando a América Central como um flanco que não podem deixar à deriva na guerra que já se anuncia e que caminha aceleradamente", assinalam as feministas em comunicado.

As integrantes da "Visitación Padilla" asseguram que a dominação, submissão e o desrespeito à dignidade dos povos são condutas estadunidenses que nunca serão esquecidas. Da mesma forma, não será esquecido que a farsa do golpe de Estado militar foi uma ação necessária dentro da estratégia estadunidense para abrir o caminho à instalação das duas bases militares.

Ocupação militar

Não é apenas em Honduras que o exército estadunidense está estabelecido com a justificativa de combater o narcotráfico e o crime organizado. Hoje, a Colômbia, país com os mais elevados índices de narcotráfico, é um dos grandes aliados dos EUA e sedia sete bases militares. Por influência e, a mando dos EUA, a Colômbia desenvolve uma constante perseguição e assédio à Venezuela.

O Panamá também sofre processo de militarização. Segundo denúncia do Honduras Libre, há registros de militares estadunidenses infiltrados de modo clandestino no país. O presidente, Ricardo Martinelli, cujo irmão tem ligações com o narcotráfico, nega a presença dos EUA em seu país.

Mais recentemente, o território costa-riquenho também foi entregue aos cuidados do exército dos EUA para o combate ao narcotráfico. Em dois de julho, a presidente Laura Chinchilla deu carta branca para a entrada de 46 navios da Armada, 200 helicópteros e mais de 13 mil soldados e civis estadunidenses que permanecerão, supostamente, por apenas um ano na região.

Segundo Honduras Libre, o México poderá ser o próximo da lista. O país vive uma séria crise desatada pelo narcotráfico. Assim, o cenário de caos "poderia ser aproveitado pelos Estados Unidos para tentar militarizar seu vizinho do sul, usando como desculpa ‘a luta contra o narcotráfico’".


Natasha Pitts, Jornalista da Adital

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Um belo monte de negócios

Da RadioagênciaNP, Felipe Amaral*

Após uma semana do fatídico leilão que autorizou a construção da usina Belo Monte, ainda são inúmeras as contradições e problemas que envolvem a obra, o leilão e o consórcio que adquiriu o direito de construir e explorar o empreendimento.

A obra será a terceira maior hidrelétrica do mundo, - perdendo apenas para as usinas de Três Gargantas, na China e Itaipu, na divisa entre o Brasil e o Paraguai, terá um custo estimado de 19 bilhões de reais, e capacidade de gerar até 11.233 MW, em capacidade estalada, e somam-se os números advindos dos impactos sociambientais na mesma proporção de sua magnitude. Estima-se que mais de seis mil famílias sejam removidas de cinco municípios distintos, devido a área alagada de 516 quilômetros quadrados, além de duas reservas indígenas que serão afetadas devido a redução da vazão do Rio Xingu, em virtude da construção de canais, diques e vertedouros para abastecer o reservatório.

As aldeias Paquiçamba e Araras localizam-se no que popularmente chama-se o Saco do Xingu, que ficará isolado, em um formato de ferradura. Mas agora, depois de uma intensa batalha judicial através de liminares, o leilão saiu, e a sobrevivência das populações e da floresta está em jogo.

O consórcio Norte Energia, que tem participação da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), subsidiária da Eletrobras, da Construtora Queiroz Galvão, da Galvão Engenharia e de outras seis empresas, arremataram a usina de Belo Monte. O outro consórcio que concorreu foi o Belo Monte Energia, formado pela construtora Andrade Gutierrez, pela Vale, pela Neoenergia. Nesse grupo, estavam ainda duas subsidiárias da Eletrobras: Furnas e Eletrosul.

O leilão foi conduzido com base no menor preço oferecido pela energia elétrica da usina. Deste modo, quem ofertasse o menor lance, pelo preço a ser cobrado, ganharia o direito de construir e, posteriormente, vender a energia elétrica de Belo Monte. O preço máximo definido pelo Ministério de Minas e Energia foi de R$ 83 por megawwatt hora. O consórcio vencedor se comprometeu com o preço de R$ 77,97 por megawatt hora. O deságio foi de 6,02%.

Segundo o Valor Econômico, em matéria publicada no dia 23 de abril, o consórcio ganhador, o Norte Energia, liderado por Chesf e Bertin, deve ser bastante remodelado. A Chesf vai ganhar a parceria da Eletronorte dentro de sua fatia de 49,98% do capital. O grupo deve ainda ganhar a adesão dos fundos de pensão Petros, que é dos funcionários da Petrobras e do Funcef, que é dos funcionários da Caixa Econômica Federal, além do FI FGTS, fundo de investimentos em infraestrutura. Esta adesão massiva de partes do Estado, segundo especialistas, significa que os riscos e contrapartidas estatais são maiores, e que seguramente as empreiteiras que ficaram de fora no negócio, serão contratadas futuramente para desenvolver parte do projeto.

O consórcio vencedor está de posse de pré-contrato assinado com o grupo construtor, mas o governo admite a possibilidade da entrada de grandes construtoras que não foram ao leilão, como Camargo Corrêa e Odebrecht, para cumprir parte das obras.

Belo Monte, é realmente um grande negócio. As condições de financiamento para a construção compromete outros empreendimentos no país, o governo terá, de forma indireta, que subsidiar o preço da tarifa cobrada. Mas então, para quem é este bom negócio? Para as empreiteiras e construtoras. Só. E elas não estão sós, estão juntas, e em todas as partes. Com seus canteiros de obras espalhados por todo país, com contratos milionários, enroladas em contratos suspeitos de irregularidades.

Recentemente no Rio de Janeiro, a Polícia Federal apreendeu uma série de documentos, que apontam que empreiteira formam um sistema de consórcios paralelos antes da disputa de licitações, com a finalidade de superfaturar obras públicas. Neste caso específico, as obras do PAC nas favelas do Complexo do Alemão, que segundo reportagem da Folha, a Odebrecht, líder do Consórcio Rio Melhor, venceu a disputa da obra, avaliada em R$ 493 milhões. Os consórcios liderados por Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão ganharam, respectivamente, as concorrências para as obras do PAC em Manguinhos (avaliada em R$ 232 milhões) e na Rocinha (R$ 175,6 milhões), objeto da mesma licitação. Todas envolvidas direta ou indiretamente no caso de Belo Monte. O esquema das construtoras tem como objetivo driblar os processos de concorrência e repartir contratos "por fora", aumentando artificialmente os preços cobrados do poder público em até 65%.

Algum tempo as construtoras OAS, Camargo Corrêa, Odebrecht, Nielsen, Queiroz Galvão e Gautama são investigadas por suposta fraude a licitações, tráfico de influência, formação de quadrilha e corrupção ativa e passiva. Os crimes teriam sido cometidos na execução de obras nos aeroportos de Guarulhos (SP), Vitória (ES) e Campo Grande (MS).

Em 2009 uma Auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União) no contrato da Petrobras com o consórcio CTC, formado pelas empresas Andrade Gutierrez, Odebrecht e Queiroz Galvão, com a finalidade de terraplenagem do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (COMPERJ) revelou superfaturamento da verba indenizatória, paga por dias de obras parados. Os dados levantados apontam que apesar de apenas 26% das obras terem sido executada, o orçamento para o pagamento de verba indenizatória às empresas já havia estourado em 116%. O Complexo Petroquímico, sediado em Itaboraí, é o maior investimento privado do país, estimado em R$ 16 bilhões.

Em 2008 o Ministério Público Estadual de São Paulo, apurou irregularidades, sobre licitação ganha pelo consórcio Via Permanente Linha 2, formado pela Queiroz Galvão e Camargo Corrêa, com a finalidade de construir o terceiro trilho da expansão da linha 2-Verde. Obra orçada em mais de R$ 200 milhões, teve editais divulgados antecipadamente, sendo o nome da vencedora e detalhes do processo, ocultados em um texto sobre uma ópera em cartaz na Sala São Paulo, especificamente Salomé.

Mas a atuação das empreiteiras tupiniquins é continental. Na Bolívia, a construtora Queiroz Galvão, chegou a ser ameaça de expulsão do país, pelo presidente Morales, responsabilizada pelas fissuras surgidas em dezenas de quilômetros em duas estradas ainda em construção no sul do país. Na Nicarágua a construção de uma hidroelétrica, com capacidade de 160 MW (megawatts), denominado Tumarín, terá um investimento total de US$ 350 milhões. O custo total do projeto será assumido pela Eletrobras e pela CHC, em um esquema no qual o governo nicaraguense começará com 10% de participação e terminará com 100%, após remunerar as construtoras. O projeto será financiado pelo BNDES e pelo BCIE (Banco Centro-Americano de Integração Econômica). A CHC é uma afiliada do grupo brasileiro Queiroz Galvão, que ganhou Belo Monte.

Um exemplo da elasticidade partidária das empreiteiras e as relações promíscuas entre governos, interesses políticos pessoais e interesses econômicos empresariais, é o caso do Centro Administrativo do governo Aécio Neves (PSDB-MG) inaugurado em março. Construído pelas empreiteiras, Andrade Gutierrez, Odebrecht, Camargo Corrêa, Mendes Júnior, Santa Bárbara, OAS, Queiroz Galvão, Via Engenharia e Barbosa Mello, deverá ser concluído com custo 26% maior do que o orçado, atingindo R$ 1,2 bilhão.

O poder de barganha do financiamento eleitoral privado, permitido na lei eleitoral, é fator condicionando para as decisões governamentais, e tem seu reflexo no modelo de desenvolvimento que governos imprimem ao Estado. São decisões pessoais, altamente influenciadas pelo aporte de financiamentos empresariais, aliados a necessidade de manutenção do poder, somando-se ainda uma dose de vaidade, descaso e desconhecimento.


Ecólogo e coordenador do Instituto Biofilia

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Lançada nova edição da Comuna LibRe

Olá camarada! Te oferecemos mais uma edição da nossa Comuna LibRe, o jornal da Juventude Liberdade e Revolução. Ela chega no momento da realização de mais uma edição do Fórum Social Mundial, que retorna à sua cidade natal: Porto Alegre. Marca também o início do ano de 2010, no qual a Juventude LibRe completará dois anos de existência celebrando através da realização de seu I Encontro Nacional em junho.

Fundada em 19 de julho de 2008, por iniciativa de jovens vinculados à corrente política Refundação Comunista, em pouco tempo a LibRe ampliou sua área de atuação e cresceu junto à militância de esquerda. Hoje atuamos no movimento estudantil secundarista e universitário, no Hip-Hop e outros movimentos culturais protagonizados pela juventude. Propomos políticas para os jovens das mais diversas tribos e classes sociais, mas priorizamos o trabalho junto ao setor mais proletarizado, sobre o qual os efeitos da lógica do Capital se fazem mais sentir. Convidamos-te a conhecer nossas idéias e forma de organização, bem como ser nosso parceiro na luta por uma sociedade de indivíduos livres! Veja o índice, peça seu exemplar a um de nossos militantes ou por e-mail, e boa leitura!

# INTERNACIONAL # - Honduras resiste ao golpe
# EDUCAÇÃO # - Universidade Popular: um projeto estratégico
# CAPA # - O Haiti é aqui!
- Genocídio da juventude pela exclusão socio-racial
# HISTÓRIA # - 1968: a UNE na encruzilhada e as trincheiras esquecidas
# CULTURA # - Consciência e atitude: elementos para romper com as amarras da ordem

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Militantes assassinados em Honduras

Por Joseph Shansky

Há pilhas de cadáveres de ativistas em Honduras. A mídia está calada, em Honduras e em todo o mundo, enquanto crescem as redes de amigos e conhecidos que se unem pelo boca a boca, com notícias de mais uma morte, e são muitas, de compañeros e compañeras.

O mundo foi "informado" pelo jornalismo dominante das grandes cadeias comerciais, como o The New York Times, de que houve eleições “limpas e justas” dia 29 de novembro (eleições e noticiário orquestrados pela junta de golpistas apoiados pelos EUA atualmente no poder), mas a violência só fez aumentar, mais rápida do que temida.

Os alvos específicos da matança têm sido os que o establishment golpista vê como maiores ameaças ao golpe. Os mais ousados e, claro, os mais vulneráveis: membros da Resistência Popular contra o golpe. Seus amigos. As famílias. Todos quantos oferecem comida e abrigo à Resistência. Professores, alunos, cidadãos comuns que apenas veem a falácia de haver regime não eleito no governo do país. Todos os associados à Resistência têm enfrentado violência crescente contra a coragem de protestar contra o golpe.

Depois que a comunidade internacional recebeu luz verde dos EUA – porque a ordem democrática teria sido restaurada via eleições –, foi aberta a temporada de caça, para as mais violentas forças que há em Honduras, e que trabalham para romper, a qualquer preço, a unidade da Frente de Resistência contra o golpe. Os assassinatos estão acontecendo em velocidade maior do que se pode registrar.

Em um domingo, 7/12, um grupo de pessoas foi metralhado quando andava por uma rua de Villanueva, arredores de Tegucigalpa. Segundo testemunhas, uma van sem placas parou em frente ao grupo, quatro mascarados saltaram da van e obrigaram o grupo a deitar-se no chão. Ali foram fuzilados. As cinco vítimas são:

· Marcos Vinicio Matute Acosta, 39

· Kennet Josué Ramírez Rosa, 23

· Gabriel Antonio Parrales Zelaya, 34

· Roger Andrés Reyes Aguilar, 22

· Isaac Enrique Soto Coello, 24

Uma mulher, Wendy Molina, 32, recebeu vários tiros e fingiu-se de morta quando os assassinos a puxaram pelos cabelos para verificar se sobrevivera. Foi hospitalizada e sobreviveu.

El Libertador, jornal hondurenho independente noticiou que todos os mortos eram militantes da sociedade civil e trabalhavam contra o golpe. Segundo outro militante do mesmo grupo na região, “Os rapazes organizaram comitês para que os vizinhos pudessem trabalhar também pela Frente de Resistência.”

Essa matança foi um dos eventos de uma série de assassinatos de membros da Resistência, só nas últimas semanas. Dia 3/12, Walter Trochez, 25, ativista conhecido na comunidade de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT) foi puxado da calçada e jogado numa via, também por quatro mascarados, no centro de Tegucigalpa. Em depoimento que depois prestou às autoridades locais e nacionais, Walter contou que foi interrogado durante horas, por mascarados que queriam informações sobre membros e atividades da Resistência; que foi espancado com um revólver, por recusar-se a falar. Disseram-lhe que seria assassinado, falasse ou não. Trochez conseguiu escapar, abrindo a porta da van e jogando-se na rua, de onde conseguiu correr.

Não foi a primeira vez que Walter recebeu esse tipo de ameaças. É militante conhecido e respeitado contra o golpe, e há meses trabalhava documentando casos de violações de direitos humanos, sobretudo na comunidade gay. Walter acaba de publicar dois artigos. Um, imediatamente depois das eleições, intitulado “O Absenteísmo venceu” – sobre o bem-sucedido trabalho da Resistência, encorajando os cidadãos a não votarem e protestarem contra as eleições. E outro, cujo título fala por si: “Escalada dos Crimes de Ódio e Homofobia contra a comunidade de LGBTT: ação do golpe de Estado civil-religioso-militar em Honduras”.

Nos dois artigos, a mesma conclusão: “Como revolucionário, sempre estarei na linha de frente com meu povo, hoje, amanhã, sempre, mesmo sabendo que isso pode custar-me a vida.”

Dia 13/12, uma semana depois, Walter foi baleado no peito, quando caminhava para casa, por pistoleiro que passou num carro. Morreu a caminho do hospital.

Dia 5/12, Santos Garcia Corrales, membro ativo da Frente Nacional de Resistência foi preso por forças de segurança, em New Colony Capital, sul de Tegucigalpa. Foi torturado para que desse informações sobre um comerciante que fornecia alimentos e suprimentos a militantes clandestinos da Resistência. Foi solto e relatou o incidente às autoridades locais. Seu corpo foi encontrado dia 10/12, decapitado.

Tem havido muitos assassinatos na comunidade de LGBT, depois do golpe. Várias travestis têm aparecido mortas. Entidades de Direitos Humanos relatam que “mais de 18 gays e transgêneros foram assassinados em todo o país – número equivalente ao de casos registrados nos cinco anos anteriores –, nos seis meses que dura a crise política.”

A última vítima, Carlos Turcios, foi arrancado de casa em Choloma Cortes, às 3h da tarde do dia 16/12. Seu cadáver foi encontrado dia seguinte, decapitado e sem mãos. Carlos era vice-presidente da seção de Choloma da Frente de Resistência, cidade localizada a poucas horas de distância da capital. Andres Pavón, presidente do Comitê de Defesa dos Direitos Humanos em Honduras, CODEH, comenta: “Achamos que esses crimes horrendos devem ser somados a outros nos quais os cadáveres também mostram sinais brutais de tortura. Todos esses atos visam a construir o medo coletivo.”

Trata-se de esforço sinistro para enfraquecer uma comunidade que, de fato, dá sinais de estar mais forte que nunca. Como Walter Trochez escreveu (e a CNN confirmou), a maioria dos eleitores recusou-se a comparecer às juntas eleitorais, para a "eleição" organizada pelos golpistas. Inúmeros governos em todo o mundo – inclusive vários sul-americanos, recusaram-se a reconhecer como legítimos os resultados daquela eleição.

Nesse clima de feroz repressão, os cidadãos já não podem contar com as autoridades para prover sua segurança mínima; os que são ameaçados não podem recorrer à polícia. As queixas, registradas e assinadas, como aconteceu com Santos e Walter, convertem-se em sentenças de morte. Muitos suspeitam, com boas razões, que os assassinatos sejam cometidos por policiais ou soldados. No mínimo, são acobertados pelo Estado e são fruto da atual realidade em Honduras, quando dia a dia deterioram-se os serviços de proteção que o Estado deve ao cidadão.

Pavón e outros ativistas dos Direitos Humanos em Honduras têm-se manifestado na denúncia repetida dessas atrocidades, mas os crimes ainda não parecem ter sido incluídos na pauta da grande mídia, nem em Honduras nem fora de lá. Quanto mais os cidadãos precisam dos jornais e das televisões para denunciar os abusos de que são vítimas, mais os jornais e televisões os abandonam à proópria sorte, para que se defendam sozinhos.

Como é possível que tudo isso esteja acontecendo no século 21? Por que se matam pessoas pelas ruas de Honduras, apenas porque insistem em não se calar contra um golpe civil-militar-religioso igual a tantos que a consciência democrática de todo o mundo já aprendeu a denunciar?

De todas, as mãos mais sujas de sangue são as de Roberto Micheletti e dos demais chefes do regime golpista. Mas o presidente Barack Obama e o Departamento de Estado dos EUA tiveram papel importante no processo que levou as coisas ao ponto em que estão. O governo dos EUA não tomou nenhuma medida concreta contra as milhares de violações da lei e da Constituição, todas fartamente documentadas, que ocorreram desde 28/6, data do golpe. Não surpreende que, sem ser contida por qualquer tipo de lei, a violência tenha avançado sem limite e sem controle, aos olhos do mundo.

Em recente entrevista, Francisco Rios, da Frente Nacional Contra o Golpe repetiu comunicados divulgados pela Frente, nos quais dizia que a Resistência, por mais que no momento enfrente dificuldades duríssimas, prepara massivo esforço de organização para esse novo ano. Rios informou que os militantes pararam de reunir-se publicamente, por medida necessária de segurança, mas que se dividirão em células domésticas, casa a casa, por todo o país, com planos para reemergir como força política nacional, mais forte e mais bem organizada. Walter, Santos, Carlos e todos os combatentes da Resistência em Honduras, que deram a vida por um sonho de democracia, inspiram, hoje ainda mais que antes, os companheiros. A luta continua. Honduras vive!




Publicado no site da Revista Fórum

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Para restituição, Zelaya deve responder a processos, opina MP

O Ministério Público (MP) de Honduras se posicionou contra a restituição do presidente deposto, Manuel Zelaya, enquanto ele não comparecer à Justiça para responder pelos 18 processos movidos contra ele. A posição foi apresentada hoje (25) ao Congresso Nacional, que pediu a opinião de várias instituições sobre o retorno de Zelaya ao governo, exigência do quinto ponto do Acordo Tegucigalpa-San José. As análises serão avaliadas pelos deputados a partir de 2 de dezembro, após as eleições do próximo dia 29.
O informe do MP foi entregue hoje ao Congresso Nacional pelo procurador-geral, Luis Alberto Rubí; o procurador-adjunto, Roy Urtecho; e os procuradores que mantêm as acusações contra Zelaya. Segundo o porta-voz do MP, Melvin Duarte, a análise foi feita pela instituição com ajuda da equipe que apóia o procurador-geral.

Em frente ao Congresso, apoiadores de Zelaya e grupos feministas realizaram plantão exigindo a restituição do presidente constitucional.

No próximo dia 2 - depois, portanto, das eleições do próximo dia 29 -, o Congresso Nacional deverá começar as discussões sobre o retorno de Zelaya ao poder. Os parlamentares vão basear-se nos ditames ou informes solicitados à Corte Suprema de Justiça, ao Comissionado de Direitos Humanos, à Procuradoria Geral e ao Ministério Público, este último entregue hoje. A informação foi dada pelo presidente do Congresso Nacional, José Alfredo Saavedra.

O Congresso agora tem a opinião do Ministério Público; do Comissionado Nacional de Direitos Humanos, Ramón Custodio; e da Procuradoria Geral da República.

O Acordo Tegucigalpa-San José foi assinado entre governo provisório e deposto, com a mediação da Organização dos Estados Americanos (OEA), mas até hoje sem resultados concretos. O documento atribui ao Legislativo nacional a decisão de "retrair à titularidade do Poder Executivo a seu estado anterior a 28 de junho até a conclusão do atual período governamental, em 27 de janeiro de 2010".

Corpo de líder pró-Zelaya é encontrado

O cadáver do coordenador da Frente Nacional contra o Golpe de Estado, Luis Gradis Espinal, foi encontrado ontem (24), em Tegucigalpa, depois de haver sido arrastado pela polícia hondurenha no último domingo, segundo o organismo.

O corpo do professor de 56 anos do departamento de Valle foi encontrado com pés e mãos atados, em um caminho da aldeia Las Casitas, ao sudoeste da capital, próximo a uma zona onde se localizam várias unidades militares.

Segundo informes da Frente, Espinal foi interceptado no Anillo Periférico da cidade por uma patrulha policial, quando se dirigia à capital.

Em comunicado, a Frente denunciou o aumento da vigilância e perseguição de seus militantes por parte das Forças Armadas do país, devido à aproximação das eleições gerais do próximo dia 29. Segundo o organismo, a "onda repressora" inclui mercenários contratados pelas Forças Armadas.

Micheletti compra "maquinaria de morte" antes das eleições

O Comitê de Familiares de Detidos e Desaparecidos em Honduras (Cofadeh) denunciou hoje (26) um comunicado do governo provisório de Roberto Micheletti, em que permite o ingresso, livre de impostos, no país de um caminhão blindado para controle de distúrbios de rua. A maquinaria, procedente dos Estados Unidos, foi comprada a um custo de 11.990 milhões de dólares, segundo a entidade.

A compra do caminhão Ford modelo F750 - motor Cummis diesel, com transmissão de 6 velocidades - foi intermediada pela empresa Comercio e Inversiones S. de R.L. de C.V. e consignada pela Secretaria de Segurança. A compra foi comprovada pelo ofício SDES-0584-2009, assinado pelo secretário de Segurança, Jorge Rodas Gamero.

A "maquinaria de morte", como denominou o Cofadeh, está equipada com uma torres de canhão de água com pressão de 300 libras e 150 galões por minuto, 4 câmaras blindadas de segurança com uma visão de 360 graus, operadas de uma estação de vídeo-gravação dentro do caminhão.

O Cofadeh ainda denunciou o ingresso, em dispensa oficial, de 10 mil granadas de mão lacrimogêneas e 5 mil projéteis de 37mm de gás lacrimogêneo, totalizando 17 milhões e 750 mil lempiras (moeda local). Os dados foram detalhados no pedido número 003534, às autoridades da aduaneira La Mesa, de San Pedro Sula, pelo secretário-geral de Finanças, Rafael Antonio Trejo.
Publicado originalmente em Adital

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Manifestação em solidariedade ao povo de Honduras

FORA GOLPISTAS!

Dia 2 de Outubro, sexta-feira



MASP – Av. Paulista


Concentração a partir das 17h


Uma série de entidades, centrais sindicais, movimentos populares e partidos de esquerda fazem um ato em defesa da restauração da democracia em Honduras, com o retorno ao governo do presidente eleito Manuel Zelaya, e em repúdio ao golpe militar e às medidas repressivas contra o povo, nesta sexta-feira (2/10), às 17h, em frente ao Masp, em São Paulo.

"O golpe militar tem de ser derrotado nas ruas em Honduras e em todo o mundo. Nos últimos dias, os golpistas não deixaram nenhuma dúvida aos trabalhadores e aos povos de sua verdadeira face fascista: toque de recolher, estado de sitio, prisões, repressão brutal com centenas de lutadores feridos e assassinatos", afirma o manifesto (leia versão integral abaixo).

As entidades se colocam também "na defesa da embaixada do Brasil contra qualquer ataque ao presidente eleito Manuel Zelaya, os ativistas e dirigentes que o acompanham bem como contra qualquer funcionário da embaixada".

Entre outras organizações, assinam a convocatória do ato pela democracia o MST (Movimento Sem Terra), CUT (Central Única dos Trabalhadores), CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), Conlutas, Intersindical, MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), UNE (União Nacional dos Estudantes) e Anel (Assembléia Nacional dos Estaduantes).
O PT, PCB, PSOL, PSTU, Consulta Popular, Assembléia Popular e Circulo Palmarino também assinaram o manifesto.

Ato em defesa de democracia em Honduras

Dia - 2 de Outubro, sexta-feira

Local - MASP

Endereço - Av. Paulista, 1.578 - Bela Vista - Centro

Concentração - a partir das 17:00h

Abaixo, leia a convocatória do ato pela democracia em Honduras.

Manifestação em Solidariedade ao Povo de HondurasFora Golpistas!
O golpe militar tem de ser derrotado nas ruas em Honduras e em todo o mundo. Nos últimos dias, os golpistas não deixaram nenhuma dúvida aos trabalhadores e aos povos de todo o mundo de sua verdadeira face fascista: toque de recolher, estado de sitio, prisões, repressão brutal com centenas de feridos e assassinatos.

As imagens de estádios sendo usados como “prisões” para as centenas de detenções realizadas de maneira arbitrária e violenta trazem na memória as imagens do golpe de Pinochet, no Chile, e as prisões e execuções no Estádio Nacional tão simbólicas, para todo os povos de nosso continente, do significado das ditaduras.

De outro lado, as manifestações e resistência do povo hondurenho para derrotar o golpe continuam heróicas e fortes. As organizações sindicais, populares e políticas brasileiras fazem um chamado a construirmos um amplo movimento de solidariedade ao povo de Honduras.

A América Latina viveu períodos sombrios por conta de ditaduras e, para evitar o retorno desses tempos, realizaremos todos nossos esforços de mobilização e apoio político e material para a luta organizada a partir da Frente Nacional de Resistência Contra o Golpe de Honduras que luta por: fim da repressão e restabelecimento das liberdades democráticas, recondução do presidente eleito Manoel Zelaya ao governo, punição aos golpistas e respeito ao direito legítimo do povo hondurenho de decidir livremente seu destino, inclusive através da convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte.

Nos colocamos na defesa da embaixada do Brasil contra qualquer ataque ao presidente eleito Manoel Zelaya os ativistas e dirigentes que o acompanham bem como contra qualquer funcionário da embaixada.

Para isso estaremos organizando:

1- Manifestação em São Paulo, no dia 02 de outubro no vão do MASP, na av.Paulista, concentração à partir das 17:00h;

2- Uma delegação unitária das organizações brasileiras para levar nosso apoio e solidariedade, nos próximos dias, ao povo hondurenho;

3- Uma campanha de arrecadação de recursos para o apoio à resistência organizada pela Frente Nacional de Resistência Contra o Golpe de Estado.

MST (Movimento Sem Terra)
CUT (Central Única dos Trabalhadores)
CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)
Conlutas
Intersindical
MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto)
UNE (União Nacional dos Estudantes)
Anel (Assembléia Nacional dos Estaduantes)
PT
PCB
PSOL
PSTU
Consulta Popular
Assembléia Popular
Circulo Palmarino
Esquerda Marxista
CDR - Comitê de Defesa da Revolução Cubana

Publicado originalmente no site do MST

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

EM DEBATE: Quanto vale o Haiti?

Desde o início do ano, são recorrentes as manifestações no Haiti pelo aumento do salário mínimo. O país paga, atualmente, 70 gourdes por mês para um trabalhador – isto equivale a R$ 3,50 por dia. Os trabalhadores pedem que um novo salário mínimo seja fixado, pagando 200 gourdes por mês – cerca de R$ 10 por dia. A lei chegou a ser aprovada pelo Parlamento em abril, mas para ser oficializada precisaria que o presidente, René Préval, publicasse no jornal oficial do país.

Pressionado pelos empresários no Haiti, o presidente se nega a promulgar a lei. As manifestações são duramente reprimidas tanto pela Polícia haitiana quando pela Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah), que está há mais de cinco anos no país e é comandada por tropas brasileiras.
As mobilizações no Haiti contam com forte atuação dos estudantes.
Em entrevista à Radioagência NP, o estudante da Universidade do Estado do Haiti, Nixon Boumba,relatou a situação do país.


Radioagência NP: Como se desenrolou a busca pela aprovação da lei que aumenta o salário mínimo no Haiti?

Nixon Boumba:
A lei foi submetida ao Parlamento há dois anos. Esta lei pretendia ajuizar o salário mínimo de 70 gourdes para 200 gourdes. Depois de dois anos, foi levada ao Parlamento e debatida até fevereiro de 2009 e a Câmara dos Deputados aprovou a lei. Conforme a Constituição, a lei foi votada e faltou apenas ser publicada no jornal oficial do governo, precisando, portanto, ser aprovada pelo presidente. Acontece que, mesmo após os votos favoráveis da Câmara, a lei acabou sendo bloqueada pelo presidente. E o patronato declarou que iria fazer o que pudesse para impedir que a lei fosse promulgada no jornal oficial, e então o presidente fez objeções à lei e não a promulgou. Então, vemos que tudo funciona a serviço de uma luta de classes, em que o Estado se posiciona ao lado da classe dominante.

RNP: Este reajuste estava previsto pela Constituição do país?

NB:
Sim, a lei diz que é preciso ajustar os salários em função da taxa de inflação. Cada vez que a inflação passa dos 10% ao ano, se faz o reajuste no salário mínimo. Desde 2006, a taxa de inflação passou dos 40%, portanto é ilegal a recusa do governo.

RNP: A partir disto começou uma forte onda de protestos no Haiti. Como foi isto?

NB:
Desde abril, foi lançada uma manifestação no país pelos setores progressistas junto aos estudantes e trabalhadores por causa do salário mínimo. Organizações participaram das mobilizações feitas em frente ao Ministério dos Assuntos Sociais. Construímos um coletivo chamado “Para Outro Primeiro de Maio”. Com este coletivo organizamos uma grande manifestação que foi reprimida pelas forças da ordem, pela Polícia, que inclusive utilizou gás lacrimogêneo. A repressão foi selvagem e colocou dezenas na prisão. Ainda temos companheiros presos, vitimas de violência civil. Nós vamos continuar a mobilização, não apenas pela liberação dos presos, mas sim pela melhoria das condições de trabalho no país.

RNP: Há mais de cinco anos, a Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah) está presente no Haiti. Como a Minustah tem agido frente aos protestos?

NB: A Minustah e a Polícia nacional são as forças repressivas, atuando junto ao governo, ao presidente e à Associação dos Industriais do Haiti. Os trabalhadores que se mobilizaram por um novo salário mínimo sofreram repressões da Minustah, que está aqui para garantir a ordem injusta, a ordem da exploração, em um país que tem mais de 80% da população vivendo na miséria.

RNP: É visível a presença dos estudantes na luta pelo aumento do salário mínimo. Como foi feita a aliança dos trabalhadores com os estudantes?

NB:
Fizemos uma proposta de reforma. Entre elas a de uma reforma da universidade para que esta estivesse ligada às necessidades do povo haitiano. A proposta atravessa esta etapa, fazendo com que os estudantes progressistas entendam que a mudança da sociedade se dá de forma mais profunda. Por isso, os estudantes devem se colocar ao lado dos trabalhadores, da classe popular nesta reivindicação. Não havia situação mais importante para que ocorressem transformações do que lutar pela mudança da condição dos trabalhadores haitianos. Se pensarmos em uma perspectiva global de transformação da sociedade. Os estudantes estão do lado dos trabalhadores.

RNP: Prisões, repressão e feridos. Mesmo assim, as mobilizações continuam no país?

NB:
A mobilização continua e é preciso mudar a condição dos trabalhadores e trabalhadoras. Enquanto esta condição não for favorável para as famílias dos trabalhadores, a luta continua.

De São Paulo, da Radioagência NP, Ana Maria Amorim.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Honduras, a marcha e a resistência heróica de seu povo


Maggie Marín *

Tradução: ADITAL


Os milhares de hondurenhos/as que participaram na que me atrevo chamar a grande marcha desse país centroamericano oferecem um singular exemplo para a América Latina e para o resto do mundo. Porque essa ousada ação desenhada para defender seus direitos em específico é isso; porém, é mais do que isso; e é mais do que uma imensa caminhada. É também, vale esclarecer, uma formidável maneira de defender a totalidade de nossa região dos desígnios nefastos e da sempiterna voracidade dos Estados Unidos

Revolucionária por certeza, latinoamericanista por devoção e periodista por profissão, meus dias começam e terminam e sempre estou mergulhada em pesquisas do que passa por lá. Na imprensa alternativa, claro, porque a Marcha Nacional de Resistência Popular, da mesma forma que todas as ações de repúdio e protesto popular, são ignoradas pelos maiores meios de comunicação do país, propriedade de grupos empresariais que ajudaram a financiar o levantamento militar que depôs ao presidente legítimo, José Manuel Zelaya Rosales.

Portanto, não minto ao assegurar que a atualidade sobre Honduras apresenta diversos ritmos, matizes e graus de tensão. A cada jornada se enrola e desenrola mais de um fato; porém parece subsistir uma espécie de nó cego que a muitos, -Gringolândia em primeiro lugar- convém manter atado até ajustar bem suas porcas. Algo está sempre acima de tudo -algo que, inclusive, tem contrariado os vaticínios agoureiros segundo os quais, após uns dias de revoltas, tudo voltaria à normalidade e as águas voltariam ao seu nível-: a permanente pujança do movimento popular e a virtual rebelião de seus habitantes. Porque, certamente, a despeito da atroz repressão desatada após o golpe e das graves violações aos direitos humanos de que estão sendo vítima, 44 dias depois do golpe, dos hondurenhos mantêm a luta mesmo com o risco de perder suas vidas.

Desde o fatídico 28 de junho, as massas populares saem todos os dias à rua para protestar e executar medidas de pressão contra o governo usurpador: marchas e mobilizações massivas, interromper o tráfego nas estradas, bloqueios de pontes, ocupação de edifícios públicos, paralisações. O mais provável é que a maioria não saiba que o Artigo 3 da atual Constituição Política hondurenha lhes dá o direito à Insurreição Popular em caso da imposição de um governo pela força das armas.

Não obstante, a resistência do povo é permanente e, longe de debilitar-se, torna-se mais obstinada e pertinaz e, inclusive, tem incorporado diferentes formas de luta. Uma firme demonstração disso é justamente a multitudinária marcha que mencionamos, iniciada no passado 5 de agosto em aldeias, comunidades, municípios e departamentos do país e que, ontem, encheu ruas, caminhos e avenidas e a qual se uniram milhares de hondurenhos em direção à capital, Tegucigalpa e a San Pedro Sula (segunda cidade em importância, situada a 250km ao Norte) para reforçar a luta pelo retorno à ordem constitucional, pelo regresso do presidente Zelaya e pela convocatória de uma Assembleia Constituinte.

Assim que, enquanto escrevo estas linhas para os fraternos amigos de Adital, os marchantes se aproximam às vilas fronteiriças com Nicarágua, onde, na quarta-feira realizarão concentrações em aberto desafio aos usurpadores do poder e concretamente ao exército e à polícia, que praticamente militarizou essas zonas e onde há duas semanas desataram uma violenta repressão que teve como vítima um jovem.

Dirigentes chaves do movimento operário e camponês, da Frente Nacional Contra o Golpe e da resistência em geral, asseveram que com a caminhada demonstraram ao regime a pujança do movimento popular. "Devemos ser otimistas, estamos no caminho do triunfo e conseguimos a unidade do povo e de nossas organizações nessa luta", disse Israel Salinas, secretário geral da Federação de Trabalhadores. "A resistência popular contra o golpe se fortalece e continua crescendo. Vamos continuar na luta", afirmou Juan Barahona, um dos principais líderes do movimento de resistência.

Segundo o carismático e combativo dirigente camponês Rafael Alegría, as marchas que possivelmente reuniram umas 100 mil pessoas em ambas as cidades foram contundentes porque a resistência está empenhada em apertar para "impedir que triunfe a estratégia dos golpistas, que é trazer o presidente Zelaya somente na última hora, para que legitime as eleições".

Portanto, é inegável que ao longo dessas semanas o ator fundamental em Honduras, um dos três países mais pobres na América Latina, tenha sido esse povo que, em pagamento por sua exemplar e heróica rebelião, recebeu golpes, murros, gases lacrimogêneos e balaços. Sintetizo-lhes algo que li na página web de La Jornada: milhares e milhares de pessoas tem se mantido em luta, colocando em risco sua própria vida, sua liberdade e seus bens. Para entender o que acontece hoje em Honduras temos que ver esse povo e seus líderes. Neles, encontram-se as raízes da resistência ao golpe.

De fato, o Informe Final da Missão Internacional de Observação sobre a Situação dos Direitos Humanos corroborou que poderiam estar sendo cometidos crimes de competência da Corte Penal Internacional, o que se explica pela repressão desatada "de maneira sistemática" e que está em jogo muito mais do que uma simples luta política para restabelecer uma ordem legal e permitir a um presidente legítimo regressar ao poder.

Agrega o documento que se trata de uma conflitividade onde "uma elite econômica, aliada ao exército", atua "em prejuízo da maioria da população", negando-lhe o usufruto dos direitos sociais, econômicos e culturais, ou criminalizando-a quando os reclamam.

Ninguém deve estranhar, então, que o Comitê de Familiares de Detidos Desaparecidos de Honduras (Cofadeh) contabilize nove assassinatos, "alguns deles cometidos por militares disfarçados de civis", grande quantidade de ameaças de morte diretas, 2.702 detenções ilegais e outras 1.155 violações aos direitos humanos.

Retomando o tema da resistência, vale anotar que enquanto a marcha acontecia, 50 mil educadores continuavam em greve, mais de 8 mil trabalhadores de 28 hospitais e em outros mil centros públicos de saúde; e tiveram que fechar os quatro aeroportos mais importantes do país porque 95 de seus técnicos e operadores somaram-se à luta. Tudo isso a despeito de que a repressão militar e policial é cada vez mais brutal, como foi demonstrado com a violação do campus da Universidade Nacional Autônoma de Honduras, e o assassinato de dois professores.

Roger Vallejo morreu no sábado, 1º de agosto, após 36 horas de agonia causada pelo balaço recebido na cabeça durante a repressão a uma marcha nos arredores da capital. Martín Florencio Rivera Barrientos foi morto a punhaladas quando, na madrugada, após sair do velório de Vallejo, regressava à sua casa. A sede da Associação de Professores de Educação Média onde trabalhavam e foram velados ficou lotada por centenas de pessoas que repudiavam a repressão e exigiam o restabelecimento do estado de direito.

A cada dia que passa, a paralisação de importantes setores do país repercute na economia local, que parecera estar entrando em forte bancarrota. Por outro lado, apesar de que, de uma ou de outra maneira, meio planeta continua implicado nos esforços de reinstaurar a institucionalidade na empobrecida república centroamericana, o certo é que, enquanto muitos governos, organismos mundiais e regionais e prestigiosas personalidades que estão a favor aplicam inúmeros esforços, outros fazem todo tipo de artimanhas buscando levar a atual situação ao limite para, em seguida, mediar e debilitar o ainda incerto regresso a seu posto do presidente constitucional.

De modo que se continua tentando reviver uma das artimanhas dos falcões washingtonianos em confabulação com a oligarquia local e com as direitas da região e do mundo, no chamado plano do presidente costarricense Oscar Arias. Zelaya continuou com sua resistência pacífica, sua ofensiva diplomática para voltar ao país, e sua luta pela democracia direta "enquanto tenha um fio de vida", enquanto o governo espanhol, o canadense, o dominicano, entre outros, somavam-se à pressão para que tanto o governante legítimo quanto os golpistas aceitem o farsante plano de Arias,

Após manter-se por vários dias na zona limítrofe entre Honduras e Nicarágua, o mandatário deposto viajou para o México, convidado pelo homólogo Felipe Calderón, onde afirmou que a oligarquia hondurenha quer acabar com a pobreza assassinando aos pobres e que, com a repressão, com a inconstitucionalidade e com a barbárie, os golpistas "despertaram" o povo, que agora reconhece aos que jogaram Honduras no caos. Considerou débil para com os golpistas a mencionada mediação de Arias; apontou que a OEA arrisca prestígio ao dialogar com o governo de fato e reclamou urgência na devolução da constitucionalidade em seu país. Se a intransigência dos usurpadores persiste, disse, somente restará apelar ao Tribunal Penal Internacional. Reiterou que as medidas tomadas por EUA são mornas e débeis. "A crise em Honduras põe à prova o governo estadunidense".

O legítimo presidente de Honduras participa no Equador da cerimônia oficial de início do segundo mandado de seu colega Rafael Correa e viajará depois ao Brasil, Espanha e Estados Unidos.

Em entrevista a Telesur, sua filha, a advogada Zoe Zelaya Castro que, com sua mãe continuam em Honduras e, portanto, separadas do mandatário deposto, argumenta com tino que "os líderes mundiais devem atuar com energia condenando aos homicidas do regime de fato". Nada mais certo, a vida não deveria continuar igual enquanto Honduras não volte à normalidade, enquanto os hondurenhos tenham que continuar marchando e ofertando seu suor, suas lágrimas e seu sangue.

Enquanto isso, em Honduras, prosseguem as manifestações, as greves, os bloqueios de pontes e de estradas, enfim, a resistência; e se espera a chegada de uma missão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos que buscará informação sobre as múltiplas violações ocorridas desde o golpe de Estado de 28 de junho.


* Jornalista da revista centenária cubana Bohemia

Publicado originalmente em: ADITAL Notícias

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Con Honduras, con toda América Latina


Declaración unitaria (firmas actualizadas 1/7/09)


Las organizaciones sociales, políticas y solidarias abajo firmantes, ante el curso del golpe de estado en Honduras y el proyecto imperialista de instalar bases militares en Colombia para ahogar la esperanza de libertad y emancipación en el conjunto de América Latina, declaramos:

1. Nuestro pleno apoyo al regreso inmediato y sin restricciones de Manuel Zelaya y la restitución del orden constitucional, sin condiciones en Honduras. Asimismo, exigimos el castigo a los culpables del golpe de estado y el no cuestionamiento de la soberanía popular para decidir libremente su futuro, mediante referéndum, consulta o cualquier medio de democracia participativa.

2. Denunciamos el cinismo practicado por el gobierno de EEUU y sus satélites en la OEA con una política que habla de reconocimiento de la constitucionalidad de la presidencia de Zelaya mientras mantienen acuerdos, conversaciones con los golpistas y todo tipo de maniobras dilatorias destinadas a desmovilizar el formidable movimiento de resistencia que se ha despertado en el interior de Honduras coordinado en el Frente Nacional de la Resistencia al golpe de estado.

3. Consideramos que todo esto forma parte de una decidida ofensiva del imperialismo norteamericano y las transnacionales contra los países del Alba y todas las fuerzas progresistas de América Latina para preservar su hegemonía, los tratados de libre comercio y sus intereses de privatización y explotación de recursos.

4. Rechazamos la campaña de falsas acusaciones y mentiras, curiosamente coordinadas, contra El Gobierno de Ecuador y el de Venezuela provenientes de EEUU, el mayor consumidor de drogas del mundo y Colombia, gracias a su gobierno, el mayor productor, con su narcopresidente Uribe a la cabeza. Los principales actores del narcotráfico, tienen el valor de hablar de fracaso de la política antidroga en Venezuela. Todo ello, solo con el fin de justificar la presencia militar norteamericana en la zona: el “Plan Colombia”

5. Alertamos a la opinión pública sobre la gravedad de que Colombia se convierta en el portaviones más grande de la historia con la instalación de hasta siete bases norteamericanas, amenazando ya sin veladuras la soberanía de todos los países Latinoamericanos. Supone un paso gravísimo en la internacionalización de su conflicto interno y amenaza con desestabilizar la región con una provocación de imprevisibles consecuencias.

6. Denunciamos a todas las transnacionales de la comunicación, desde CNN al grupo Prisa y toda la red de canales, diarios y emisoras pertenecientes a las oligarquías locales, con su “cartel”, el SIP (Sociedad Interamericana de Prensa) que combinan la desinformación con la calumnia a fin de establecer una realidad virtual en la opinión pública mundial como base para poder desarrollar su ofensiva militar.

7. Nos comprometemos a desarrollar todo tipo de acciones solidarias, desde ahora y de la forma mas coordinada posible para responder de forma contundente a cualquier tipo de agresión.

Contra las oligarquías, el golpe fascista en Honduras y la amenaza imperialista en toda América Latina

Para enviar adhesiones: assembleabolivariana@gmail.com

ADHESIONES:

ALEMANIA

COMUNA BOLIVARIANA DE BERLIN ALEMANIA, Berlín.
COLOMBIA EN EL EXILIO, Berlín.

Adhesiones individuales

Kemal Kutan
Dr. Klaus Engert.
Lilo Lottermoser, DIE LINKE, LV Hamburg.

ARGENTINA

Espacio de Carta Abierta de Tucumán

Adhesiones individuales

Alicia Beatriz Gonzalez Olivella.
Analia Averbuj-Periodista.
Claudio Katz, (economista).
Cristina Adrover- Piscóloga Social.
Eduardo Lucita (economista).
Eduardo Jorge Rauch - Secretario de Organización de la Asociación Trabajadores del Estado del Ministerio de Justicia.
frenapo c-jardin.
Graciela Paiz de Delnegro, Miembro APDH (Asamblea Permanente por los DDHH).Rosario.
Ricardo Gustavo Espeja
Jorge H. Rinaldi, Psicólogo Clínico, Comodoro Rivadavia- Chubut
Maximiliano Burckwardt, Carta Abierta de Tucumán.
Patricia Gordon. Psicóloga. Secretaria General Colegio de Psicólogos. Distrito X Mar del Plata.
Pérez Nélida Isabel.
Ricardo Gustavo ESPEJA

AUSTRALIA

Australia-Venezuela Solidarity Network

Adhesiones individuales

Federico Fuentes, Democratic Socialist Perspective
Susan Price, Sydney
Len Cooper [CEPU]

BELGICA

ARLAC (Asociación de Refugiados Latinoamericanos y del Caribe)
CADTM (Comité pour l'annulation de la dette du Tiers Monde)
Grupo Colombia
Ligue Communiste Révolutionnaire (LCR)

Adhesiones individuales

Alicia Jardel.
Mercedes Centena.
Stefan Wauters.

BOLIVIA

Partido Obrero Revolucionario Combate (POR-Combate)
Voz Proletaria, órgano del Partido Comunista Boliviano

BRASIL

Coletivo de Mulheres UFRGS
Comité Ejecutivo del PSOL
Diretório Central do Estudantes da UFRGS - DCE Sempre em Frente
Juventude Liberdade e Revolução (LibRe/Brasil)
Mulheres Rebeldes. http://radicaldesdelaraiz.blogspot.com/
PROMUNDI
Refundação Comunista (RC/Brasil)

Adhesiones individuales

Adriana Gragnani, São Paulo – Brasil.
Heloisa Helena, presidenta del PSOL.
Chico Alencar, diputado federal por Rio de Janeiro.
Clarisse Castilhos.
Isabel Marazina, Psicoanalista. Analisa Institucional, San Pablo.
Ivan Valente, diputado federal por São Paulo.
João Alfredo Telles Melo - Concejal del Partido Socialismo y Libertad/ PSOL.
Jose Carlos - PSOL - Núcleo Niterói Coordenação.
Jose Nery, Senador Nacional por Pará. PSOL.
José Otavio D'Acosta Passos, economista.
Luciana Genro diputada federal por Rio Grande do Sul.
Marian Pessah.
Maria Orlanda Pinassi, professora Brasil.
Silvana Conti.
Tárzia Medeiros - Marcha Mundial das Mulheres.

CANADA

Colleen Fuller, Vancouver
Jean-Pierre Daubois, sindicalista, Montreal.
Michael A. Lebowitz, economista.
Sid Shniad, Trade union researcher, Vancouver, British Columbia.
Siegfried Laser

COSTA RICA

María Elena López

CUBA

Proyecto Comunitario Espiral, La Habana.

ECUADOR

Agencia de los Pueblos En Pie http://www.agenciaenpie.org/
Colectivo Feminista de Ecuador
LibreRed (Diario Digital Alternativo) http://www.librered.net/wordpress/
Refundación Socialista de Ecuador

Adhesiones individuales

Alberto Acosta, economista ex-presidente de la Asamblea Constituyente del Ecuador.
Dimitri Cevallos Defranc.
Luis Alberto Mendieta.
Oscar Sanchez Lopez, MOVIMIENTO COLIBRI
Jenny Velez Pinzón, RED DE CUS LMGYAI EL ORO
Rosalia Iñigez, PROGRAMA LA TALEGUITA SOLIDARIA
Marcia Castillo Tandazo, CENTRO ATENCION INTEGRAL ROSA VIVAR
Patricia Bao Ramirez, RED DE CAC Y BANCOS COMUNALES EL ORO
Blanca Maldonado Murillo, RED CIVICA DE ANTICORRUPCION DE EL ORO
Teresa Rodrigues Chiles, COMITE DESARROLLO MUJERES DE FRONTERA - CODEMUF Rosa Lopez Machuca, MOVIMIENTO MUJERES DE EL ORO

EL SALVADOR

Grupo Trova
Super Pakito Chac

ESTADO ESPAÑOL

AAVV can Ricart (Barcelona)
AVeins de Sant Antoni de Llefià (Badalona)
A B F Boliviano SAYARIY-URUS
Agrupación Local del PCPV-PCE de Sant Joan d'Alacant.
Ara 9barris (Assemblea de Resistència Activa de 9barris)
Asociación Asturiana Gaspar García Laviana
Asociación Ateos y Republicanos
Asociación Coordinadora de Colectivos Sociales - ACCS "Córdoba Solidaria
Asociación Cultural Iberoamericana "SCORZA"
Asociación de Solidaridad Bolivariana
Asociación Socialismo XXI
Assemblea Bolivariana de Catalunya
Assemblea Penedès Nord de St. Pere de Riudebitlles, Catalunya.
Asamblea de Apoyo a Evo Morales y al Proceso Constituyente en Bolívia
Ateneu Art i Cultura de l’Escala.
Ateneu Popular de Sarrià. Ictus
Ateneu Rebel (Poble Sec, Barcelona)
Brigada Vallesana Simón Bolívar
Casa de Nicaragua
Casal Argentino de Barcelona
Casal d´amistat amb Cuba de Badalona
Casal d’amistat Català-Cubà de Barcelona.
Central de Trabajadores de la Argentina - Barcelona
Círculo Bolivariano de Las Palmas Alí Primera
Col·lectiu Maloka (Colombia)
Central de Trabajadores de la Argentina CTA -Barcelona
Col·lectiu Kaosenlared (kaosenlared.net)
Colectivo 26 de Julio (Madrid)
Colectivo Latinoamérica XXI
Colectivo Chileno Mapuche Peuma Trawün Chile
Col·lectiu Local de EUPV - Sant Joan. (Alacant)
Comité Canario de Solidaridad con los Pueblos (CCCP)
Comitè de Solidaritat Amb els Pobles Indígenes
d´America.
COP- CpR Ripollet.
Diario digital inSurGente, http://www.insurgente.org/
ECUADOR LLACTACARU
Educació per a l'Acció Crítica- EdPAC
En Defensa del marxismo (Revista)
En Lucha/En Lluita
Entrepobles
Espai Marx
Esquerra Unida del Pais Valencià (EUPV)
Esquerra Unida i Alternativa (EUiA)
FAIV, Federación de Asociaciones de Inmigrantes del Valles
FARGA (Fòrum Anticapitalista per la Reflexió y Generació d’alternatives)
Foro Social de Murcia
Grupo de Apoyo a la Central de trabajadores de la Argentina de Barcelona
Grupo de Investigación en Derechos Humanos y Sostenibilidad.
Iniciativa Solidaria Internacionalista (ISI), Burgos.
Izquierda Anticapitalista.
Izquierda Unida de Murcia (IURM).
Libres del Sur-Argentina (Red en el Estado Español)
LLEIDA TREBALLADORA, (Comité Local)
Marxa Mundial de Dones de Catalunya.
Partit dels Comunistes de Catalunya (PCC)
PCE (m-l), Catalunya.
Partido Obrero Revolucionario (POR)
Partit Comunista del Poble de Catalunya (PCPC)
Plataforma Bolivariana de Solidaridad con Venezuela de Madrid
Plataforma Q'atary Perú en Barcelona
PLATAFORMA SIMÓN BOLIVAR DE GRANADA
PSUC (viu)
Qui deu a qui ? (Catalunya)
RADIOCHANGO http://www.radiochango.com/
RED CANARIA POR LOS DD.HH. EN COLOMBIA
RedS (Red de Solidaridad para la Transformación Social)
REPSOLMATA
SOCIEDAD CULTURAL GIJONESA (Xixón - Asturies)
Soldepaz pachakuti
Trobada Alternativa de Nou Barris, Barcelona

Adhesiones individuales

Alberto Herbera Lopez, obrero metalúrgico, Catalunya.
Alicia Fernandez Gomez, Enseñante-Asturias.
Ana Montero, Assemblea Bolivariana de Catalunya.
Anna Gabarró Haro.
Antoni Lucchetti, advocat, economista i doctor en Historia Económica
Belén Gopegui. Novelista. España.
Carlos Fernández Liria, Profesor de la Universidad Complutense de Madrid
Carlos Soriano Clemente, Catalunya.
Carme Gelabert, Catalunya.
Catherine Hernández García, del Movimiento Bolivariano en Canarias.
Cesk Freixas, cantautor i militant d'Endavant (OSAN).
Claudia Calvo Dufort, Catalunya.
Constantino Bértolo. Editor.
Cristina Berlanga Olmeda (Euskal Herria)
Cristóbal Crespo, Murcia
Daniel Pereyra Perez, escritor.
Diosdado Toledano Gonzalez, miembro de la Comisión Ejecutiva de Izquierda Unida Federal.
Esther Vivas, activista y miembro de Izquierda Anticapitalista.
Francisco Morote Vidal, Foro Social de Murcia
Gara Franchy Gil, Canarias.
Giniveth Soto Quintana. Partido Socialista Unido de Venezuela. (Plataforma Bolivariana de Madrid)
Iñaki Errazkin, Periodista.
Jordi Miralles (diputat per EUiA)
Jaime Balaguer, Madrid.
Joan Josep Nuet i Pujals, Senador de Izquierda Unida.
Jorge Rios Martínez.
Josep Cruelles, activista, Assemblea Bolivariana de Catalunya.
José Gregorio Bracho Reyes.
Josep Maria Antentas, profesor de sociología de la UAB.
Juan Montero Ruiz, miembro de la Xarxa Solidària contra els Tancaments i la Precarietat (Catalunya).
Juan Ramón Rodríguez Madridejos. Abogado del Movimiento Intercultural por los DDHH. España.
Kilian Ramiro Grau, Artista.
Luis Gonzalez – informático.
Manel Ros, militant d'En lluita.
Marta Capdevila Guasch, Catalunya
Mariano Franchy Rodríguez. Islas Canarias.
Maria Paz González, Tarragona.
Mariona Cruelles, estudiante de la UAB
M. Gabriela Serra. Entrepobles.
Mercè Civit. (Diputada per EUiA)
Mertxe Gómez Llanos, EUSKAL HERRIA (pais vasco)
Miquel-Dídac Piñero Costa, president de l'Ateneu Art i Cultura (l'Escala)
Mònica Monroy Jurado, Catalunya.
Montse Campoy Mestres, Catalunya.
Nydia Mayela Rangel Cárdenas.
Òscar Diego Garcia, Catalunya.
Patricio Arenas
Pepe Mejía, periodista. Madrid
Ramón Franquesa, Profesor Economía Mundial, Universitat de Barcelona
Robert Gonzàlez Garcia, profesor de secundaria i militante de la USTEC
Rosa Maria Ingles Orobitg, Catalunya
Sudaka Topo
Sandra Perez de Tudela Caimons
Verónica Diaz Costanti
Vicente Cervantes Sánchez, Coordinador Azogue.net, http://www.azogue.net/
Vinx – RadioChango
Yolanda Dalmau Carreño.

ESTADOS UNIDOS

Alfred L. Marder, President, US Peace Council
James Petras, Professor (Emeritus) de Sociología de la Binghamton University, New York.
Frank Scott writes political commentary which appears in the Coastal Post
San Rafael, California
Joe Carolan, Editor SocialistAotearoa.org. Aotearoa, Nevada.

EUSKAL HERRIA

CNT - Bilbao
Euskadi Cuba
Kimetz Kolektiboa
Komite Internazionalistak

FRANCIA

Cercle Venezuela Toulouse
MRAP - France (Movimiento contra el Racismo y por la Amnistía entre los Pueblos)
NPA (Nouveau Parti Anticapitaliste)

Adhesiones individuales

Alain Krivine
Beatrice Whitaker (NPA)
Charles Giuseppi
Daniel Bensaid.
Elisenda Panadés
François Sabado
Franck Gaudichaud - France Amerique Latine / Rebelion.org
Jardel Alicia
Julien Terrié, Toulouse.
Michael Lowy
Myriam Martin.
Olivier Besancenot (NPA)
Omar Slaouti.
Pierre Rousset (Europe solidaire sans frontières, ESSF, France)
Ramón Chao
Roseline Vacheta.
Milagros Riera

FINLANDIA

handsoffvenezuela-Finlandia

HAITI

PAPDA, Plateforme Haïtienne de Plaidoyer pour un Développement Alternatif

Adhesiones individuales

Didier Dominique, BATAYE OUVRIYE

HOLANDA

Socialistische Alternatieve Politiek from the Netherlands

INDIA

Radical Socialist

Adhesiones individuales

Sushovan Dhar

INDONESIA

Political Committee of the Poor- People's Democratic Party (KPRM-PRD)

ITALIA

Comité de Emigrantes de la C.G.I.L. Roma

Adhesiones individuales

Dra. Elda Ordonez.
Dra. Debora Leiva.

MARTINICA

Groupe Revolution Socialiste(GRS) (Martinique)
Centrale Democratique Martiniquaise des Travailleurs(CDMT)
Union des Femmes de la Martinique
Association Martinique/Venezuela

MEXICO

David Barkin
René Ortiz M, Asesor Parlamentario de la, Senadora Yeidckol Polevnsky
Vicepresidenta del Senado
Silvia Abalos/Cantante.

NORUEGA
Grupo Internacional Oslo del Partido Socialista de Izquierda Noruega
Nettverk for Venezuela

Adhesiones individuales

Efraín Navarro, Círculos Bolivarianos de Noruega.

NUEVA ZELANDA

Vaughan Gunson, National Chair of Socialist Worker.

PAÏSOS CATALANS

Endavant (OSAN)
SOLIDARA, Solidaritat catalana per a la cooperació i els drets humans.
Revolta Global-Esquerra Anticapitalista

PANAMA

Movimiento de la Juventud Popular Revolucionaria (MJP)
Partido Alternativa Popular (P.A.P)

POLONIA

Zbigniew Marcin Kowalewski, investigador y editor

PORTUGAL

Bloco de Esquerda
SOS RACISMO de Portugal

PUERTO RICO

Frente Socialista de Puerto Rico

REINO UNIDO

Socialist Workers Party (Britain)

Adhesiones individuales

Alex Callinicos, Socialist Workers Party (Britain)
Alfredo Saad Filho
Dave Hill, Professor, University of Northampton, England
Marina Kaplan, Associate Professor Emerita of Spanish and Portuguese
Mark Shotter
Norman Traub, Socialist Resistance
Smith College, Northampton
Sarah Parker, Socialist Resistance supporter, London

SUECIA

RESOLVER Red de Solidaridad con Venezuela Revolucionaria.

SUIZA

Centro de Estudios Marxistas de Ginebra
Comité Bolivariano de Suiza
Presencia Latinoamericana de Suiza
Asociación Internacional por la Paz en Colombia y el mundo, AIPAZCOMUN Sec. Suiza, Ginebra.

TAILANDIA

Progressive Redshirts.

TURQUIA

DSIP (Revolutionary Socialist Workers Party)
Social Freedom Platform
Toplumsal Özgürlük Platformu
Yeni-Sentez, http://www.yeni-sentez.net/

Adhesiones individuales

Gülnur Aksop- Editor-Istanbul
İkbal Polat - Movement of libertarian left/ Turkey
L. Nilgün Aklar, Ankara
Mustafa Akgun
Mustafa MAYDA, Glass & Ceramics Trade Union DISK
Necati Abay (journalist)
Nil Mutluer
Turkan Uzun, antikapitalist

URUGUAY

Plataforma DESCAM (ddhh)
Universidad Popular Joaquin Lencina

Adhesiones individuales

Eduardo Viera - Facultad de Psicología - Universidad de la Republica Oriental del Uruguay.
Dr. Ramiro Chimuris Sosa
Maestro Gonzalo Abella

VENEZUELA

Adelante Pueblo, Comunistas Río Chico
Aquí Está...! Comunistas Carrizal
Aquí Estamos...! Comunistas Miranda
Arte Experimental al Aire Libre (AREXALI)
Artesanias Cocorote
Así Es...Comunistas Cúa
ATENEO ANDRAGOGICO FELIX ADAM
Avance Popular Comunistas Sta. Teresa
Batalla Popular Comunistas Sta. Lucía
Bandera Roja Comunistas Yare
Casa Comunitaria de San Diego
Célula Manuel Taborada PCV, Los Teques
CENTRO Cultural Carlos Augusto Leon
CENTRO CULTURAL CINEMATOGRAFICO MIRANDA
Circulo Bolivariano Simón Rodriguez
CODAINE
Combate Popular Comunistas Charallave
Comité Regional Gustavo Villaparedes PCV Miranda
CONSERVEMOS NUESTRAS ABEJAS SALVEMOS LA MIEL
De Frente Comunistas San Diego-Miranda
El Martillo Comunistas Guarenas
El Patriota Comunistas Caucagua
El Popular Comunistas Guaicaipuro
En Lucha Comunistas Chacao
En Marcha Comunistas El Hatillo
Espuela Roja Comunistas Zona A Carrizal
Estrella Roja Comunistas Cúpira
Floricultores y Artesanos del Vetiver
FRENTE FRANCISCO DE MIRANDA ALTOS MIRANDINOS
FUNDACIÓN HOMBRE NUEVO
FUNDESO, Frente Unido Nacional De Deportistas Socialistas
Gallo Rojo Comunistas Andres Bello
GRUPO DE TITERES LAS TAPARITAS
Grupo Ecológico Conservación FLORYFAUNA
GRUPO SOLIDARIDAD NIÑOS POR LA PAZ
La Verdad Comunistas Baruta
Los Ñángaras..! Revista Comunista Mirandina
Lucha Popular Comunistas Mamporal
MISION ARBOL
Organización Intermunicipal Comunistas Miranda Centro
Organización Comunista Gustavo Machado Carrizal
Organización Comunista Juan Bautista Fuenmayor, Los Salias
Organización Comunista Marcelino Cedeño, Chacao
Organización Comunista Salvador de la Plaza, San Diego de los Altos
Organización Comunista de Baruta
Organización Comunista de El Hatillo
ORPROS
Prensa Popular Solidaria, Comunistas Miranda
Propagando.org
Propuesta Popular Comunistas Los Salias
Radio Comunitaria de Carrizal
Radio Comunitaria de San Diego de los Altos
Radio Comunitaria Guaicaipuro de Los Teques
RADIO COMUNITARIA PARAIPA DE SAN PEDRO DE LOS ALTOS
Rebeldía Popular...! Comunistas Zona B Carrizal
Red de Comunicación Comunista Mirandina (REDECCOMI)
Rescate Popular Comunistas Miranda Centro
Resistencia Popular Comunistas Higuerote
Trinchera Popular Comunistas Ocumare Tuy
Vanguardia Popular Comunistas Petare
Voz Popular Comunistas Guatire

Adhesiones individuales

Alejandra León
Alejandra Morales Hackett, Caracas
Alicia Galindo
Ana Elisa Osorio
Andrés Sánchez
Angel Rivas
Aura Silva.
Alvaro Sánchez
Belén Rojas Guardia
Carlos Rodríguez
Carlos Graterol
Carlos Martínez
Carmen Cecilia Lara- Periodista y Profesora de la Universidad Bolivariana de Venezuela
Carmen Rojas
Carmen Villegas
Celestino León
Cesyen Cedeño (Mérida)David Bello
David Daniel Vallespí i ZambudioDemelis Flores
Douglas Regalado
Edgar Silva Reverón (Caracas)
Emil Villaparedes
Henry Mosquera
Estrella Sanoja
Faustino Rodríguez Bauza
Francisco Rodríguez Adam
Freddy Balzán, periodista
Gisela Sotillo
Gladys Ayala
Gladis Ocanto
Gustavo Meléndez
Henriette Adam de Rodríguez
Hermes Flores
Jessie Blanco /Revista para el debate Feminista MATEA
Jesús Rafael Fernandez Rodríguez
José Castillo
José Gregorio Bracho Reyes, Cónsul General de la República Bolivariana de Venezuela en Estambul
Juan Carlos Espinoza Izaguirre
Juanita González
Leonardo Ocanto
Luis Antonio Henríquez Arocha, (Caracas)
Luis Aponte
Luis Emilio Fernandez Rodríguez
Luis Rodríguez
Maigualida Rivas
Manuel Terán
Marcos Fuenmayor
Maria Gorgina González
Mercedes Centena, Venezolana-argentina
Milagros Rosales
Millie Zurita
Mirna Navarro
Natalia Rodríguez Adam
Olga Castillo
Oscar Flores
Pablo Molina
Paula Galindo
Pierre Coulange
Rafael Darío Yanez
Rafael Quintero
Raquel Galindo
Raul Bracho, Fundación Hombre Nuevo.
Reinaldo Sánchez
Roberto González
Roberto López. Maracaibo. Unión Nacional de Trabajadores del Estado Zulia.
Rocío Cordovez
Roland Denis
Salomé Da Silva
Sergio Abzueta
Sergio Rodríguez Adam
Simón Alzón
Stalin Pérez Borges. Coordinador nacional de la Unión nacional de
Trabajadores. Miembro del Comité Operativo del Frente Socialista de Trabajadores del PSUV y de la corriente Marea Socialsta
Thais Ojeda
Tati Villegas
Thirza Espinal
Valentín Troconis
Víctor Aguilar
Victor Manuel Rodriguez, corresponsalesdelpueblo (mitjans alternatius)
Yolanda Villaparedes
Zulima Peréz Jiménez

INTERNACIONALES

Forum Mondial des Alternatives
IJAN Europe, réseau international juif antisioniste.